Candidatos definem posições diferentes perante 'mercado'

A pré-candidata Dilma Rousseff vem afinando o seu discurso para plateias empresariais e do mercado financeiro, com sinais de moderação e de manutenção de algum grau de ortodoxia na condução das políticas fiscal e monetária. Como já foi observado, o papel de maior destaque que o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, assumiu na campanha de Dilma é um claro sinal de que a pré-candidata petista quer consolidar um apelo centrista.

Análise: Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2010 | 00h00

Ontem, por alguns momentos, Dilma pareceu abordar até mesmo o tema tabu da Previdência. Se, de fato, a menção a "estender a terceira idade" foi uma referência, proposital ou por ato-falho, a elevar a idade com que os brasileiros se aposentam, Dilma recuou no momento subsequente. Afinal, parece ter se tornado sabedoria convencional na política brasileira a preocupante ideia de que discutir o que para muitos economistas é o maior problema brasileiro - o déficit crescente da Previdência - é sinônimo de suicídio eleitoral.

O candidato tucano, José Serra, por sua vez, parece não temer as possíveis reações adversas do mercado financeiro às suas ideias. Ontem, ele repisou a crítica ao descompasso entre as políticas cambial e monetária, e o seu compromisso de buscar um "entrosamento" entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central. Como, no atual modus operandi, o Banco Central goza de autonomia operacional para perseguir metas de inflação definidas pelo governo, aquela busca de entrosamento não tem como não soar como algum grau de redução da liberdade de ação do BC.

Assim, de forma um pouco curiosa, Dilma vai tentando se estabelecer como candidata confiável ao mercado, enquanto Serra sinaliza que outro caminho seria possível.

É JORNALISTA DO "ESTADO"

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