Paulo Pinto/AE
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Candidatos discutem mais executivo que Senado

Marta e Aloysio destacaram 'vitrines' das gestões de seus partidos nos governos federal e estadual. Enquanto petista focou turismo, transporte e educação, tucano privilegiou programas de saúde do Estado e da prefeitura

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2010 | 00h00

O debate Estadão/TV Gazeta entre os candidatos a senador por São Paulo foi marcado por discussões em torno de obras e projetos de governos, com pouca relação com trabalhos legislativos. Marta Suplicy (PT) e Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) procuraram se promover ao destacar "vitrines" das gestões de seus partidos nos governos federal e estadual.

Netinho, candidato do PC do B e um dos líderes na mais recente pesquisa Ibope, não compareceu ao evento. A bancada reservada a ele permaneceu vazia e foi exibida em diversos momentos.

Marta, que está empatada com Netinho na preferência dos paulistas, segundo o Ibope, se manifestou principalmente sobre turismo, transporte público e educação.

Aloysio, que está em ascensão e dobrou seu tempo de propaganda no rádio e na TV após a renúncia de Orestes Quércia (PMDB), destacou programas de saúde dos governos estadual e municipal e defendeu uma legislação federal para conter a prática das queimadas na agricultura.

Na primeira participação no programa, Marta perguntou a Aloysio sobre seus projetos para o setor do turismo - a candidata foi ministra do Turismo no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aproveitou a réplica para falar de projetos que implantou, como um que estimula os idosos a viajar pelo País.

Ataque. O candidato do PSDB, ao responder, atacou o governo federal. Afirmou que os aeroportos de São Paulo vivem uma situação de "apagão" e que há carência de investimentos no setor.

Em outros momentos, a candidata petista também se referiu a projetos que implantou como prefeita de São Paulo, como o Bilhete Único e os CEUs - escolas com piscinas, quadras esportivas e áreas para práticas artísticas.

Aloysio procurou se associar à implantação de ambulatórios médicos pelos governos dos tucanos Geraldo Alckmin e José Serra. "Estamos rompendo o gargalo das consultas e dos exames e reduzimos a mortalidade infantil em São Paulo.

Liminar. Também participaram do debate os candidatos Ciro Moura (PTC) e Marcelo Henrique (PSOL) - este último por força de uma liminar concedida pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A lista de convidados havia sido elaborada com base na ordem de classificação dos candidatos na pesquisa de intenção de voto do Ibope. Romeu Tuma (PTB) não compareceu por problemas de saúde.

Os candidatos responderam a perguntas dos jornalistas Paulo Markun e Silvia Correa, da TV Gazeta, e Luiz Fernando Rila e Marcelo de Moraes, do Estado. O programa foi mediado por Maria Lydia.

Confronto

MARTA SUPLICY (PT)

"Temos de investir em Guarulhos (aeroporto), mas principalmente em Viracopos porque tem de ser o maior centro hoje de aeroporto que vamos ter no Brasil"

"Toda obra pode dar problema e eu acho que a função do Congresso e do Senado - e eu vou estar lá, espero - é de fiscalizar, evidentemente"

ALOYSIO NUNES (PSDB)

"Acho importante que façamos uma lei - semelhante à que foi feita no Estado de São Paulo - definindo uma meta para a emissão de gases que geram efeito estufa"

"Vou ajudar, como senador, o Geraldo Alckmin a expandir o metrô. Nós já fazemos isso, sabemos como fazer""

CIRO MOURA (PTC)

"Sou um paulistano feliz. Sou do tempo em que a educação pública era de melhor qualidade"

"Eu vivo a política, não vivo da política"

MARCELO HENRIQUE (PSOL)

"Devemos enfrentar, ao invés das consequências do crime, as causas.

É nesse sentido que devemos buscar acabar com a desigualdade social e ter um Estado com condições de proporcionar uma educação adequada para que os jovens não entrem no mundo do crime"

"Você (Aloysio) que foi e está no governo tucano há muito tempo no nosso Estado poderia já ter feito isso (melhorar o transporte)"

PARA ENTENDER

O Senado é composto por 81 senadores, eleitos para mandatos de oito anos. Um terço da Casa é renovada numa eleição e os outros dois terços na eleição seguinte. Este ano, serão renovados dois terços, ou seja, 54 senadores. Por isso, os eleitores terão de votar em dois candidatos. Os senadores representam os Estados e não a população, portanto, não há proporcionalidade em relação ao número de habitantes de cada Unidade da Federação, como ocorre com os deputados federais. Todos os 26 Estados e o Distrito Federal possuem a mesma representatividade no Senado: 3 senadores cada. Por São Paulo, concorrem 15 candidatos. Em todo o País, o total de candidatos concorrendo às cadeiras na Câmara Alta, outra designação do Senado, soma 273 pessoas.

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