Candidatos sobem tom em debate

Em confronto pela web, Serra parte para ataque a Dilma e Marina mira em tucano

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2010 | 00h00

No caso da propaganda eleitoral gratuita da TV, transmitida para todo o País, o presidenciável José Serra, do PSDB, ainda não definiu o momento certo para iniciar o ataque pesado contra Dilma Rousseff, candidata do PT e líder nas pesquisas eleitorais. Sabe-se apenas que virá. Para plateias mais restritas, porém, o tucano acredita que chegou a hora.

Foi isso o que se viu ontem no encontro promovido pela Folha/UOL, com transmissão ao vivo pela internet, com a presença de Serra, Dilma e Marina Silva, do PV. Entre as várias investidas que fez contra a petista, referiu-se a ela como "ingrata" e "mentirosa" e disse que a rival só olha para o passado, para fazer comparações entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio da Silva. "Seu espelho retrovisor é maior que seu para-brisa", afirmou,

Ele também insistiu em ligar Dilma à corrupção. "Eu não passo a mão na cabeça de quem faz atrocidades, como o dossiê dos aloprados contra mim. Ninguém foi punido dentro do PT", afirmou, referindo-se a episódio ocorrido nas eleições de 2006.

Serra ainda procurou mostrar a petista como candidata sem conteúdo. Num certo momento disse que o assunto sobre o qual Dilma fazia perguntas, em torno do ProUni, não era uma preocupação real dela. "Algum assessor te passou isso", ironizou.

Favela. O tucano era o que se mostrava mais agitado entre os três. Não foi só ele, porém, que resolveu endurecer. Marina, estacionada na marca de 8% das intenções de voto, fez críticas à administração tucana em São Paulo e ao uso de uma favela cenográfica na propaganda de Serra.

Contou que no dia anterior visitara uma favela real, no município de Diadema, com 10 mil moradores. "Todos abandonados pelas autoridades", disse.

Na primeira fase do encontro, Marina parecia pender para uma aliança com Dilma, contra Serra. Em seguida, porém, mostrou que deseja se distanciar dos dois.

Além de criticar o "pugilato" entre eles, atacou a propaganda da petista transmitida na terça-feira, que terminava com uma canção sugerindo que Lula vai transferir para ela os cuidados com o povo. "Estão querendo infantilizar os eleitores", acusou.

Dilma pareceu bem mais à vontade e afiada do que no debate da TV Bandeirantes, no início do mês. Procurou se controlar, para não aceitar as provocações de Serra, mais experiente em debates, mas não deixou de responder às críticas. Quando o tucano acusou o atual governo de ter aumentado impostos na área de saneamento, ela retrucou que seria melhor o concorrente não adentrar o assunto, por ter telhado de vidro: "Vocês não fizeram nada nessa área."

A petista foi cuidadosa no esforço para colar sua figura à de Lula. Falou várias vezes em "nosso governo" e "nós". Chegou até a dizer "meu governo".

Os três candidatos foram favorecidos por um formato de debate menos engessado que o da Bandeirantes. O assunto mais debatido por eles foi educação. Ninguém falou do Bolsa-Família. Provavelmente porque levavam em conta o tipo de audiência da internet.

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