Candidatos têm passivo de projetos incompletos

Candidatos têm passivo de projetos incompletos

Ex-governadores buscam vaga no Senado e deixam para trás promessas não cumpridas

Evandro Fadel, Fátima Lessa, Alessandra Leite, Luciano Coelho, Silvia Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

Governadores que não podem se reeleger e renunciaram aos cargos na semana passada deixaram como legado promessas descumpridas e obras incompletas, mesmo após o exercício de dois mandatos. Agora, estão em busca de vagas no Senado, onde poderão ficar por ao menos oito anos.

O primeiro a renunciar foi Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que governava Santa Catarina desde 2003. Ele deixou o cargo sem cumprir três das principais promessas de campanha, entre elas a reabertura da Ponte Hercílio Luz, cartão-postal de Florianópolis, que está desativada desde 1982 e ainda aguarda licenciamento ambiental para o prosseguimento das obras. No Paraná, Roberto Requião (PMDB) renunciou ao governo deixando de lado uma das principais bandeiras de campanha: "O pedágio baixa ou acaba." As tentativas de rompimento de contratos e as negativas para correção das taxas foram barradas pela Justiça e estimularam invasões das praças pelo Movimento dos Sem-Terra (MST).

O ex-governador Blairo Maggi (PR), que saiu do governo de Mato Grosso para disputar uma cadeira no Senado, deixou de construir o Hospital Central de Cuiabá, obra paralisada há mais de 28 anos. Em 2004, o governo chegou a anunciar que havia retomado o empreendimento. "E, desta vez, não vamos parar e podemos garantir o término da obra até o ano de 2006", disse na ocasião. Na última semana o discurso mudou. "A obra não foi e nunca será concluída porque está fora dos padrões que determinam os órgãos de saúde. Para hospital, não serve."

No Piauí, o petista Wellington Dias investiu na ampliação do Aeroporto de Parnaíba, para promover o turismo na região. A pista foi ampliada, mas não tem iluminação. O aeroporto, apesar de já inaugurado, não tem alfândega nem voos regulares.

Em São Paulo, o governador José Serra, que deixou o cargo para concorrer à Presidência, também entregou inacabada uma promessa de campanha. As novas pistas da Marginal do Tietê foram liberadas ao tráfego uma semana antes de o tucano sair do governo, mas ainda faltam sinalização e iluminação. Outra obra estratégica e de destaque no programa de governo de Serra, a duplicação da Rodovia Tamoios, que liga o interior ao litoral, não começou. O projeto está em fase de avaliação de impacto ambiental.

Para o sucessor. Questionado sobre o projeto de restauração da Ponte Hercílio Luz, o ex-governador Luiz Henrique afirmou que uma estrutura será montada para tirar os cabos e assentar a parte central da ponte na plataforma. Ele se justificou dizendo que é um trabalho delicado, mas a ponte deve estar prestes a ser concluída quando o atual governador, o tucano Leonel Pavan, terminar o mandato no fim de 2010.

No Paraná, Requião não conseguiu reduzir a criminalidade ? no início da gestão, ele acumulou o cargo de governador com o de secretário da Segurança Pública por cinco meses. O Mapa da Violência, divulgado recentemente, indica que o Paraná tinha 17,3 mortes por 100 mil habitantes em 1997 e, dez anos depois, estava com 29,8 mortes.

"É provável que esse seja o setor mais sensível da administração, o mais sujeito às críticas", reconheceu Requião. Sobre os pedágios, afirmou: "Os reajustes não foram autorizados por nosso governo, negamos todos. Hoje temos mais de 100 ações contra as concessionárias na Justiça. Se não fosse isso, os aumentos teriam sido mais extorsivos do que foram." /

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.