Candidatura de Newton Cardoso racha PT em Minas

Os primeiros dias de campanha eleitoral evidenciaram o racha no PT mineiro em razão do lançamento da candidatura de Newton Cardoso ao Senado, como parte do acordo para a aliança com o PMDB. O apoio ao nome do ex-governador de Minas está sendo sustentado pela cúpula estadual do PT, principalmente pelo presidente do diretório mineiro e candidato do partido ao Palácio da Liberdade, Nilmário Miranda. O argumento é que a aliança com o PMDB é importante para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País. O próprio Lula, na última visita ao Estado, se empenhou para a consolidação do acordo partidário, se reunindo com peemedebistas, entre eles Cardoso. Mas o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, admitiu "constrangimento" muito grande para pedir votos para o ex-governador, cuja candidatura, segundo ele, torna a coligação "desconfortável". Pimentel sugeriu que poderá apoiar seu vice, Ronaldo Vasconcelos, candidato ao Senado pelo PV. Na última sexta-feira, o PT indicou os sindicalistas Carlos Calazans - ex-chefe da Delegacia Regional do Trabalho em Minas - e José Nicodemos de Oliveira, o "Zezão", como suplentes na chapa ao Senado. Numa tentativa de demonstrar unidade, o diretório estadual foi convocado e o anúncio oficial foi feito pelo deputado federal Virgílio Guimarães. Porém, para o deputado estadual e ex-presidente do PT municipal, Roberto Carvalho, a militância petista no Estado não vai engolir a candidatura do ex-governador. "Na realidade, ninguém consegue impor às bases do partido uma aliança absurda e desastrada como essa", disse nesta segunfa-feira. "Corrupção"Ex-sindicalista, Carvalho foi um dos que subscreveram o pedido de impeachment feito pelo PT na Assembléia Legislativa durante o governo de Cardoso (1987-1990). "Pessoalmente eu não tenho nada contra ninguém. Agora, politicamente, o Newton Cardoso foi um desastre, não só em termos das denúncias - muitas delas comprovadas - de corrupção, mas também administrativamente. Foi um fiasco o governo dele". O deputado estadual petista lembrou que a Justiça recentemente condenou Cardoso, em primeira instância, por uso indevido do helicóptero da Polícia Militar no período em que ocupava o cargo de vice-governador de Minas (1999-2002). Conforme denúncia da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, Cardoso aproveitou-se do cargo e fez no período 95 viagens particulares utilizando o helicóptero PP-EJN, Pégasus 11, da PM mineira. A maioria das viagens foi feita fora dos dias úteis e freqüentemente para cidades onde se situam seus empreendimentos rurais e empresariais, segundo o MPE. O ex-governador foi condenado a ressarcir o custo das horas de vôo realizadas e a pagar multa equivalente a três vezes o valor do prejuízo causado aos cofres públicos. A decisão cabe recurso. "Infelizmente alguns colegas do PT estão querendo apagar a história das suas cabeças", lamentou Carvalho. "Mas o eleitor não vai apagar".

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