Canoas começa a usar sistema de detecção de tiros

Município será o primeiro da América Latina a usar dispositivo que capta som de disparos de armas de fogo e faz o envio do sinal para a polícia

Elder Ogliari, O Estado de S. Paulo

27 Setembro 2010 | 17h32

PORTO ALEGRE - O município de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, tornou-se o primeiro da América Latina a usar o Sistema de Detecção de Disparos de Armas de Fogo (SDD) nesta segunda-feira, 27. Um conjunto de sensores colocados em postes e edifícios do bairro Guajuviras capta o som de tiros, identificando o local do disparo e até o calibre do projétil, e envia a informação no tempo máximo de 15 segundos ao Centro Integrado de Segurança Pública do município, que pode acionar a patrulha mais próxima da Brigada Militar para rápida abordagem de envolvidos em vandalismo, assaltos, confrontos e homicídios. A operação também é auxiliada pelas câmeras de vídeo espalhadas pela região.

 

"Cada vez que um bandido efetuar um disparo estará também chamando a polícia", prevê o secretário de Segurança de Canoas, Alberto Kopittke. A tecnologia é importada dos Estados Unidos e, conforme o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, que esteve na solenidade de lançamento do sistema, pode ser levada aos grandes centros urbanos do País após um período de análise de desempenho.

 

O investimento de R$ 2 milhões recebeu recursos do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). Desde outubro do ano passado, o bairro Guajuviras é um dos Territórios da Paz criados pelo Ministério da Justiça para reduzir a criminalidade com ações comunitárias em regiões violentas. Em 2009, foram registradas 50 mortes violentas na região, de um total de 126 em todo o território municipal.

 

A expectativa das autoridades é inibir o uso de armas de fogo e reduzir o número de homicídios no bairro. Nos Estados Unidos, há estimativas de que indicam queda de 80% no total de disparos e de 20% nas mortes por arma de fogo nas 50 cidades que já adotaram o sistema. Do total de 33 sensores previstos para a área, 17 já estão em operação. Os demais serão acionados em 60 dias.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.