Cantora faz o barulho de SP virar música

Giana Viscardi, que prepara seu 3.º disco, ainda é mais conhecida no exterior

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 00h00

Paulistana, Giana Viscardi, de 33 anos, tem charme, boa voz e começou cantando em bares, como Mariana Aydar, Céu e Ana Cañas. É menos conhecida do que as amigas, mas muitos já escutaram suas músicas na voz de outros intérpretes: Gata Lúcida, por Ana Paula Lopes, É Bom, pela Gafieira São Paulo, e Na Gangorra, por Mariana Aydar, que despertou a curiosidade do crítico Nelson Motta: "Entre os novos compositores que estão trabalhando uma nova MPB, uma das melhores revelações é a dupla formada pela paulista Giana Viscardi e o austríaco Michael Ruzitschka (seu marido), que se conheceram na Berklee College of Music", escreveu ele na revista Bravo. "A dupla produziu o disco 4321, que tem pelo menos quatro ou cinco ótimas músicas, o que é sensacional, raríssimo em novos compositores." 4321 é o segundo CD de Giana, com influências jazzísticas e muitas canções acústicas.Giana brinca com as palavras, dando a elas especial sonoridade. "Muita coisa eu anoto para trabalhar em cima mais tarde." A compositora tem cadernos com letras que começaram a ser escritas na adolescência, quando participava dos festivais de música do Colégio Bandeirantes. Mas muitos desses insights se perdem. "Eles surgem, com freqüência, no meio de uma brincadeira, de um momento gostoso e descontraído, como se não fosse nada." Ela tem uma relação diferente com a cidade. Alguns dos sons que, para a maioria, são barulhos, para ela transformam-se em melodias. "O apito do metrô vira uma nota lá no meu ouvido", diz. "Se uma mãe dá uma bronca no filho, eu presto atenção no ritmo." O talento para a música surgiu publicamente na infância, quando numa festa, aos 7 anos, ela cantou Rosa Morena, de Dorival Caymmi, do começo ao fim. Parte disso se deve ao pai, o médico Luis Falleiros, de 60 anos, que toca violão. Mas a música era um hobby, e os estudos vinham primeiro. Até que largou a Faculdade de Arquitetura na USP para fazer shows. Após um ano rodando a noite paulistana, juntou dinheiro e foi para os EUA, estudar música. Lá, conheceu o marido. Hoje, o casal mora em São Paulo, mas vive em turnês internacionais. "Quero ser conhecida na minha terra", diz Giana, que prepara o terceiro CD.

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