Caos

SP registra pior enchente em 1 ano, trânsito parado e lentidão recorde

Daniel Gonzales e Marici Capitelli, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2009 | 00h00

A três dias do fim do verão, a capital e a região do ABC paulista enfrentaram a pior enchente em um ano. Uma tempestade que começou às 15h30 encheu ruas e avenidas, parou o transporte público e deixou pessoas ilhadas. Houve 58 pontos de alagamento apenas na capital, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE). O trânsito bateu recorde de lentidão: 201 quilômetros, às 19 horas, conforme medição da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).A Via Anchieta, no limite de São Paulo com São Bernardo, foi interditada às pressas às 16 horas na altura do km 13, nos dois sentidos, por causa do transbordamento do Ribeirão dos Couros, o que causou uma fila com mais de 8 km de veículos parados. Nem caminhões conseguiam passar - às 23 horas, as pistas centrais seguiam bloqueadas. Ainda em São Bernardo os pátios das montadoras Ford e Mercedes-Benz, próximos da Avenida Taboão e da Anchieta, encheram de água. No da Ford, havia 300 veículos Ka zero-quilômetro, recém-saídos da linha de produção, que ficaram com água até a metade das portas.No centro da capital foram registrados 13 pontos de alagamento e o Túnel do Anhangabaú teve de ser fechado pela terceira vez no ano, com mais de 1 metro de água. Pelo menos 25 semáforos pifaram, segundo a CET, principalmente na região da Avenida Rebouças. Foram registradas nove quedas de árvores. No Campo de Marte, os ventos superaram 60 km/h. PRECIPITAÇÃOA quantidade de água que atingiu a capital foi igual à registrada no dia 14 de janeiro, mas os transtornos enfrentados na cidade foram piores. Nos dois dias, o CGE registrou 34,1 milímetros de chuva, o equivalente a um quinto do previsto para todo o mês de março, de 160 mm. Mas, enquanto em janeiro o temporal causou 31 pontos de alagamento, com 4 intransitáveis, ontem foram 58, com 20 intransitáveis.O que fez a diferença foi a distribuição da precipitação, concentrada em algumas regiões, segundo o engenheiro do CGE Hassan Barakat. "Na região de Sé e Bom Retiro (centro), foram 86,5 mm; no Ipiranga, 74 mm; na Vila Prudente, 67 mm", diz. E ele alerta para a possibilidade de repetição da situação hoje. "Quem tiver de transitar pelas ruas deve fazê-lo pela manhã. À tarde, a partir das 14 horas, ficará complicado."PREFEITURAO secretário municipal de Coordenação das Subprefeituras, Andrea Matarazzo, disse no início da noite de ontem que o caos registrado ontem em São Paulo foi causado pela quantidade exagerada de chuva. "É como o ralo da pia, dimensionado para escoar toda a quantidade de água da torneira aberta", comparou. "Mas, se você joga um balde de água lá dentro, de repente, vai transbordar."Um dos pontos crônicos de alagamentos, o Túnel do Anhangabaú, que voltou a fechar ontem, está com a drenagem em dia, segundo o secretário. Matarazzo ressaltou que "nunca se investiu tanto" como nos últimos três anos no combate a enchentes na cidade. Todos os pontos crônicos de alagamentos têm, segundo o secretário, alguma obra prevista ou em andamento. Ainda durante a noite, segundo Matarazzo, seria feito um mutirão de equipes de limpeza no Vale do Anhangabaú, em Aricanduva, na Praça Alberto Lion e na Avenida Ricardo Jafet, no Ipiranga, para remover a sujeira.A afirmação de que a prevenção estava em dia foi feita pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) no dia 10 de novembro, ao lançar o programa antienchente de verão. "Estamos preparados (em relação a anos passados), seja na manutenção dos equipamentos, em relação à limpeza dos córregos e piscinões e em relação ao plano preventivo, para darmos um resposta rápida", afirmou. Na noite de ontem, Kassab, que retornava de Brasília, não foi encontrado para comentar o assunto. COLABOROU JOSÉ DACAUAZILIQUÁ

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