Caos aéreo argentino frustra passageiros em aeroporto no Rio

Falta de informação, atrasos e descaso da Aerolíneas Argentinas prejudicam férias e trabalho da população

Alessandra Saraiva, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2008 | 19h37

Pessoas frustradas e muita falta de informação. Esse era o cenário deste domingo, 27, no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Nas áreas de embarque e de desembarque do aeroporto, histórias de argentinos e de brasileiros prejudicados com atrasos e cancelamentos de vôos da Aerolíneas Argentinas se multiplicavam. Todas, porém, concordavam em um ponto: o descaso da companhia aérea com o bem-estar dos passageiros.   Veja também: 'Não há solução mágica para crise', diz Aerolíneas Vôos da Aerolíneas continuam com atrasos de mais de uma hora Itamaraty presta atendimento a brasileiros em Buenos Aires Brasileiros reclamam de serviço de companhia aérea argentina Viajar na Argentina transformou-se em Odisséia   Era o caso da banda argentina Guizlo Español Cuarteto. Os músicos Alejandro Ginsbrug e Oscar Albieu esperaram durante todo o dia para embarcar em um vôo da Aerolíneas com destino a Buenos Aires, previsto para às 9 horas. Até as 16 horas, não conseguiram sair do aeroporto. "Esperamos embarcar agora, às cinco da tarde", disse Alejandro. Oscar comentou que os músicos sempre viajaram pela empresa, mas foi a primeira vez que um atraso desse tipo aconteceu. "Não houve nenhuma explicação por parte da empresa, do motivo do atraso", disse Oscar.   A família do empresário Roberto Nunes, de seis pessoas, aguardava na fila do check-in para embarcar para Buenos Aires. De lá, a família pegaria um vôo para Bariloche, onde planejava esquiar. "Essa viagem estava planejada há um mês", disse. "Só Deus sabe quando vamos chegar a Bariloche", afirmou.   O ambiente também era de preocupação no setor de chegadas de vôos internacionais. Na área de desembarque, famílias inteiras esperavam alguma notícia de parentes, brasileiros que ficaram horas em aeroportos e até dentro mesmo na aeronave, a aguardar o retorno para o País. Foi o caso do cantor Zeca Pagodinho, que só conseguiu chegar ao Brasil no sábado à noite, de Bariloche, após sofrer com um atraso de cinco horas.   O músico estava de férias com os filhos, e ficou revoltado com a situação e com o atendimento da empresa. "O avião lotado, com uma porção de crianças, e um banheiro imundo, e gente mal educada e desatenciosa com a gente. Uma coisa de doido, nunca vi isso", disse, acrescentando que nunca tinha passado por situação semelhante, em nenhuma outra empresa aérea. "Aerolíneas Argentinas: maior 'muquiranagem' que você pode conhecer no mundo", reclamou.   Férias   O estudante Lucas Araújo Moreira, de 16 anos, que foi esquiar em Bariloche, teve sua primeira viagem internacional estragada pelo final inusitado de ter que dormir no chão do aeroporto de Buenos Aires, à espera de algum vôo para o Brasil. "Nunca mais eu vou por essa companhia. Prefiro ir a pé!", disse, enquanto se reencontrava com parentes na área de desembarque.   À espera dos filhos Clarissa, de 14 anos e Gabriel, de 12 anos, o operador de sistema elétrico Alexandre da Silva Vicenti, passou por momentos de tensão durante todo o sábado, e início de domingo. Pela primeira vez deixara os filhos viajarem sozinhos, para uma excursão de uma semana em Bariloche, por uma operadora de turismo, a College. Mas os filhos não chegaram ao Brasil no sábado, como previsto, devido a atraso no vôo da Aerolíneas.   "A empresa não prestava nenhuma informação que prestasse", disse, contando que seus filhos ficaram sete horas esperando no aeroporto de Buenos Aires. "Às 11 horas da noite consegui falar com meus filhos, e eles me informaram que iam chegar hoje", disse, acrescentando que pelo menos 20 pais estavam na mesma situação que ele, no saguão de desembarque internacional do aeroporto.   "Liguei para o 0800 da Aerolíneas, o tempo todo, mas o número só funciona de segunda a sexta! Uma piada! Foi um pesadelo", disse. Vicenti também reclamou da falta de informações por parte da Infraero que, na avaliação do operador, "lavou as mãos" na situação. "Eles me mandavam procurar a Aerolíneas o tempo todo", disse.   Neste domingo, mais de duzentos passageiros que estavam hospedados desde sábado no Hotel Guanabara Palace, no centro do Rio, devido a vôos adiados da Aerolíneas, deixaram o estabelecimento para o aeroporto, na esperança de conseguir embarcar. Até 16h30, três aviões de Buenos Aires chegaram domingo, com uma média de 24 horas de atraso. A Infraero informou que, no domingo, houve dois cancelamentos de vôos da Aerolíneas.

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