Caos aéreo no Brasil repercute no exterior

Para analistas, compadrismo político é uma das causas que contribuiram para os últimos desastres aéreos

Michael Astor , Associated Press

22 Julho 2007 | 18h49

A crise na aviação brasileira repercutiu no exterior no domingo, deixando passageiros em espera em vários aeroportos americanos e dando a estrangeiros um gostinho do caos e ansiedade que os viajantes brasileiros experimentam há meses.   Analistas do setor citam fatores que vão do compadrismo político ao subfinanciamento crônico do sistema de aviação do Brasil como possíveis fatores que contribuíram para dois grandes desastres aéreos em menos de um ano.   Como o Brasil ainda está em choque pela queda de um jato de passageiros na terça-feira que deixou quase 200 mortos, a crise assumiu proporções internacionais neste fim de semana com uma importante falha de radar sobre a Amazônia.   O apagão no começo do sábado ocorreu durante um horário de pico de viagens entre Brasil e Estados Unidos. Durante quase três horas, controladores do espaço aéreo fecharam o espaço aéreo brasileiro desviaram quase 20 vôos internacionais de aeroportos de cidades americanas incluindo Nova York, Miami e Dallas.   Reflexos nos passageiros   Os aviões foram obrigados a retornar a seus pontos de origem ou a fazer escalas não programadas em lugares tão distantes como San Juan em Porto Rico, e Santiago no Chile.   "Eu estava num vôo de Miami para o Rio na sexta-feira que teve que voltar, e agora estou parada em Miami até terça-feira à noite", disse, por telefone, a passageira retida Lisa White.   White, uma professora de geologia da Universidade Estadual de San Francisco que estava viajando no vôo 905 da American Airlines, disse que a companhia não conseguiu encaixá-la em nenhum vôo mais cedo.   "Conheço os problemas, ouvi falar do desastre com o avião em São Paulo", disse ela. "Mas não estou nervosa. Imagino que eles resolverão as coisas."   Outra passageira, que tentava emabarcar num vôo para Dallas no Aeroporto Internacional de Guarulhos no sábado à noite disse que "O caos é total por aqui. Nunca vi algo assim e isso me deixou muito inseguro", disse Eli Rocha, 52 anos, de Oklahoma City. O vôo estava cheio de americanos exaustos chegando de outros vôos desviados ou atrasados.   O problema obrigou a American Airlines a desviar 13 aviões com destino ao Brasil que haviam partido de Nova York, Miami e Dallas, disse a porta-voz da empresa Mary Frances Fagan.   Dois vôos da American Airlines de São Paulo para Miami fizeram pousos não programados em Manaus, disse Celso Gick, porta-voz da agência de controle dos aeroportos brasileiros, Infraero. A mídia brasileira noticiou que outro vôo da American Airlines pousou em Santiago, Chile.   Steve Dolman, de Houston, estava num vôo da American de Miami para São Paulo quando passageiros ficaram sabendo do apagão do radar, sobre o Caribe. O vôo retornou a Miami, onde os passageiros ficaram três horas sentados dentro do avião antes de este decolar novamente para o Brasil.   'Problemas são alerta'   Dolman, que viaja com freqüência para o Brasil, disse que todos os problemas recentes deveriam servir de alerta. `Você se preocupa com isso e espera que eles levem a coisa a sério", disse ele. A porta-voz da Delta Airlines, Thonnia Lee, disse que seis de seus vôos também foram desviados - três dos EUA e três do Brasil. O vôo 121 saído de Nova York foi desviado para San Juan, Porto Rico, antes de reabastecer e decolar novamente para São Paulo, chegando com mais de quatro horas de atraso.   José dos Santos, um dono de café de 43 anos, estava a bordo desse vôo quando a tripulação anunciou que o Brasil não estava permitindo a entrada deue aviões entrassem no seu espaço aéreo por causa da falha no radar.   "Eu dizia, 'Oh meu Deus, minha vida acabou!` Eu estava em pânico, tudo que eu podia pensar era no jato da Gol que tinha caído na Amazônia no ano passado", disse Santos, referindo-se ao desastre em setembro com o Boeing 737 da Gol sobre a floresta que matou as 154 pessoas a bordo.   Quatro vôos da United Airlines também foram cancelados em conseqüência do apagão, disse a porta-voz da companhia, Robin Urbanski.

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