Capela é tombada depois de demolida

O Diário Oficial do Município publicou ontem decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) de abrir processo de tombamento da Capela de São Sebastião do Barro Branco, na Avenida Água Fria, zona norte. Na prática, isso significa que a antiga igreja estaria preservada, se não fosse um detalhe: ela foi demolida em 15 de julho, sob protestos de moradores que lutavam por sua conservação. O Departamento de Patrimônio Histórico (DPH) da Prefeitura estudava o caso desde 1985, mas só chegou a uma decisão na terça-feira. Tentou-se também salvar o lugar por meio de pedidos ao Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado (Condephaat). Tanto a primeira tentativa, em 1992, como a segunda, este ano, não deram resultado. O órgão alegou que não havia interesse estadual na preservação da capela. Datada de 1872, a construção acabou erguida na região conhecida como Chácara dos Padres, de propriedade dos jesuítas. A última missa ocorreu em 1950, quando o prédio já se encontrava em ruínas. O abandono persistiu até que os moradores da região se mobilizaram, anos atrás. Ainda que não tenha sido possível evitar a derrubada do templo, o assistente-técnico do DPH, Walter Pires, afirmou que a abertura do processo é importante porque preserva toda a área. Ele explicou que o local ficava no caminho de tropas no século passado. ?Uma série de elementos continua ali?, ressaltou. ?E a recomposição de parte da capela pode ser tentada.? Pires disse que o Conpresp concluiu os estudos sobre o tombamento no fim do ano passado. Com a mudança de prefeito, houve demora na indicação dos novos conselheiros do órgão, o que emperrou o processo. A primeira reunião do ano ocorreu somente no início de agosto. Nesse intervalo, o novo proprietário do terreno resolveu colocar a igreja abaixo ilegalmente. ?A Promotoria de Habitação e Urbanismo está acompanhando o caso.? Apesar de a abertura do processo ter chegado tarde demais para impedir a demolição, os moradores da região têm esperança de que o Conpresp salve o que restou. ?Acho importantíssima a decisão porque não só a capela como o local são marcos para São Paulo?, disse o ambientalista e historiador Malcolm Forest.

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