Capital concentra metade dos roubos de veículos do Estado

Após 4 anos de queda, delito cresce 33% na comparação entre trimestres

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

17 de junho de 2009 | 00h00

Metade dos veículos roubados no primeiro trimestre deste ano no Estado de São Paulo foi levada por bandidos na capital. Dos 19.253 roubos, 50,2%, ou 9.670 ocorrências, foram registrados nas ruas de São Paulo. Após quedas consecutivas nos últimos quatro anos, tanto na capital como no Estado voltou a crescer essa modalidade de crime. O total de roubos entre janeiro e março representa 33% de aumento sobre os 14.474 veículos levados no Estado no mesmo período do ano passado.As estatísticas foram obtidos no site da Secretaria da Segurança Pública e incluem roubos de carros, motos, caminhões e caminhonetes, entre outros. Nem polícia nem seguradoras informaram quais tipos e marcas de veículos são os principais alvos dos bandidos nem os locais onde os crimes são mais praticados. Para esse tipo de crime a pena prevista varia de 4 a 10 anos de reclusão. Os furtos, que seguiam tendência de queda, voltaram a crescer. Neste primeiro trimestre, foram 10.547 casos na capital, ante 9.651 no mesmo período de 2008 - crescimento de 9%. No Estado, os furtos saltaram de 23.374, em 2008, para 26.778, neste ano.Para o delegado titular da Divisão de Investigações sobre Roubo e Furto de Veículos e Cargas (Divecar), Itagiba Franco, o crescimento dos números não é significativo "por causa do aumento da frota de veículos". De março do ano passado a março deste ano, a cidade ganhou 392.961 mil veículos, passando de 6.067.707 para 6.468.668, crescimento de 6,4%. Franco explica também "o movimento cíclico da criminalidade". "Os criminosos percebem que a polícia está em cima de um crime, como roubo a banco, por exemplo, então migram para outra modalidade."O diretor executivo da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg), Neival Rodrigues Freitas, afirma que esses índices podem se refletir no preço dos seguros. "Já vimos esse aumento e as seguradoras estão avaliando os impactos disso na sua carteira de clientes", diz. "O que vai determinar o aumento ou não no preço do seguro não é só o roubo e o furto, há outros fatores. Se esse crescimento continuar, o aumento pode acontecer."DESMANCHESegundo o delegado da Divecar, 90% dos veículos são roubados para abastecer desmanches. Antes disso, os veículos são levados para oficinas, para a retirada de peças. "A quadrilha vende um pacote para o desmanche com todas as peças, que vão de motor a pneus", diz Franco. Para coibir a ação de bandidos, o delegado afirma que o objetivo da polícia é combater a receptação. COLABOROU NÍCOLAS BORGES

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