Carandiru: R$ 20,00 por dia para cavar túnel

A memória dos policiais da Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) permitiu a descoberta de um túnel de 42 metros de extensão em direção ao Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo e a prisão de quatro acusados de compor a quadrilha que pretendia soltar ladrões de banco, traficantes de drogas e outros criminosos que estão no presídio. Entre os presos estava um homem que já havia sido detido pelos policiais. Ao vê-lo em frente de uma casa, os policiais desconfiaram. Os homens da Rota pararam e resolveram revistar o local. "O suspeito estava com mais um amigo e os dois não souberam explicar o que estavam fazendo ali", disse o major Fernando Silva, subcomandante da Rota. A casa, numa rua da favela atrás do Cingapura da Avenida Zaki Narchi, havia sido invadida pelos bandidos. Na cozinha, os policiais encontraram uma parede falsa que dava acesso a um outro cômodo. Com cerca de nove metros quadrados, a sala estava cheia de sacos de lixo com areia e tinha uma bomba para retirar a água de dentro do túnel, construído ao lado de um córrego. Os bombeiros foram chamados à tarde pelos policiais e entraram no buraco para examiná-lo. "Os criminosos já haviam cavado um pouco mais de 40 metros e colocado escoras de madeiras nas paredes do túnel", afirmou o major. Segundo ele, havia luzes e ventiladores no interior da construção que saía da casa e já teria alcançado as proximidades da muralha da Detenção. Os sacos com terra eram retirados à noite da casa em uma Kombi. A água sugada pela bomba era jogada num banheiro. No local, foram detidos o adolescente A.P.B.S., de 16 anos, Gildeon Almeida da Silva, de 22, Magno de Oliveira Pereira, de 24, e Ailton Vilela, de 19 anos. Este último foi o homem reconhecido pelos policiais da Rota, que haviam prendido Vilela um mês antes com um carro roubado na mesma favela. Hoje, os policiais estavam patrulhando a favela quando viram um homem sentado em frente à casa invadida e Vilela sentado em uma escada. A Rota estava tentando encontrar outros membros do grupo. Os acusados confessaram que estavam recebendo R$ 20,00 por dia para cavarem o túnel e disseram terem sido contratados por um homem em Diadema. O delegado Carlos Madoglio, do 9.º Distrito Policial, afirmou que o grupo deveria ser autuado em flagrante sob a acusação de formação de quadrilha para facilitar a fuga de presos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.