Cardeais são oficialmente convocados ao conclave que elegerá o novo papa

Na segunda-feira de manhã, os príncipes da Igreja Católica, ao mesmo tempo candidatos e eleitores ao posto de pontífice, fazem a primeira reunião para definir a data da eleição, levantar os nomes mais viáveis e discutir eventuais reformas canônicas

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / ROMA, O Estado de S.Paulo

02 Março 2013 | 09h39

O processo sucessório na Igreja Católica já está aberto. Por carta, o Vaticano convocou oficialmente os 115 cardeais que, por terem menos de 80 anos de idade, participarão do conclave para a escolha do substituto do papa Bento XVI. A primeira reunião de trabalho acontecerá em Roma na segunda-feira, às 9h30, já com a presença dos papáveis, os eleitores e também candidatos a pontífice. A data para o início oficial do conclave, entretanto, só deve ser conhecida a partir da terça-feira.

A convocação foi enviada a todos os membros do Colégio Cardinalício pelo cardeal decano do Vaticano, Angelo Sodano, ainda na noite de anteontem, depois que o agora papa emérito, Bento XVI, deixou o Vaticano de helicóptero em direção à casa de verão de Castel Gandolfo.

A mensagem informou formalmente os 207 cardeais do início da Sé Vacante, o período no qual a Igreja Católica permanece sem um chefe de Estado, até a eleição do sucessor. Desses 207 cardeais, apenas 115 poderão participar da escolha do próximo líder católico, em razão do limite etário de 80 anos. Uma segunda carta também foi enviada às representações diplomáticas nacionais, confirmando a vacância do posto.

Pelas regras fixadas pelo Vaticano, a congregação-geral, como a reunião pré-votação é conhecida, será realizada na Sala Nova do Sínodo, em um complexo chamado Sala Paulo VI. É o mesmo local em que Bento XVI e seus antecessores realizavam audiências nos meses de inverno.

Além do encontro da manhã, uma segunda reunião foi marcada para a tarde, às 17 horas. A partir de então, elas acontecerão diariamente, pelo menos no horário da manhã. A realização ou não da sessão vespertina será deliberada pelos próprios cardeais.

O objetivo da congregação-geral é estimular o diálogo e as consultas informais no interior das congregações e entre os religiosos que participarão da escolha. Uma das primeiras decisões deve ser a data de início do conclave - que especialistas estimam para o domingo, 10, ou a segunda-feira, 11 de março.

Papáveis. Além de definir o início do período de eleição, outro objetivo da congregação-geral é discutir eventuais reformas canônicas que possam vir a ser realizadas pelo futuro pontífice. O tema principal da congregação, entretanto, é a discussão dos nomes mais viáveis ao cargo.

"Eu imagino que cada um de nós tenha uma espécie de lista de primeiros pretendentes", afirmou ontem o cardeal de Boston, Sean O'Malley, em uma entrevista coletiva realizada em Roma.

Essa pré-seleção dos favoritos também foi feita pelo cardeal brasileiro d. Geraldo Majella Agnelo, arcebispo emérito de Salvador, que participará do conclave. Questionado pelo Estado, d. Geraldo admitiu que tem uma lista de "uns cinco" potenciais candidatos que diz estar "marcando" desde que soube da renúncia de Bento XVI.

Interino. Durante a Sé Vacante, a gestão do Vaticano será exercida pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado no pontificado de Joseph Ratzinger. Na condição de cardeal camerlengo, o religioso de 78 anos assegura a administração durante a transição no poder, organizando os ritos do período, como a congregação-geral.

Ontem, o Vaticano divulgou um vídeo de pouco mais de 4 minutos, no qual Bertone aparece lacrando o apartamento papal após a partida de Bento XVI. Além de chaveada, a porta principal de seus aposentos recebeu uma fita vermelha e um selo que só será rompido pelo novo líder da Igreja Católica Romana.

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