Felipe Rau/AE
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Cardeal de São Paulo cobra ''posição clara'' de candidatos sobre o aborto

D. Odilo Scherer considera presença do tema na campanha parte do legítimo jogo democrático e um dos assuntos que interessam aos eleitores, mas para ele o que definirá o voto é o conjunto de posições e propostas, e não uma questão específica

André Mascarenhas, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2010 | 00h00

Sem manifestar preferência partidária, o cardeal-arcebispo de São Paulo, d. Odilo Pedro Scherer, defendeu ontem um "posicionamento claro" dos candidatos à Presidência sobre a questão do aborto e avaliou como "parte do jogo democrático" a presença do tema na campanha eleitoral.

Na opinião do religioso, é importante que o assunto seja debatido pelos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), pois constitui "uma das questões que os eleitores querem saber".

"É bom que a questão do aborto seja também levada em consideração dentro dos debates políticos. É uma questão que merece consideração política. Ou a vida humana seria tão desprezível que não merece consideração política?", questionou o cardeal em coletiva sobre a Semana Nacional da Vida, em São Paulo.

"Acho que é desejo dos eleitores que os candidatos tenham posições claras e coerentes com aquilo que de fato pretendem levar adiante", acrescentou o cardeal.

D. Odilo se esquivou de responder se são transparentes as posições de Dilma e Serra sobre a questão. Segundo ele, suas considerações foram feitas "em linhas gerais", sem conhecimento específico sobre as posições dos candidatos. Questionado se a questão poderá definir a eleição, o cardeal disse que é o "conjunto de questões e de propostas que os eleitores vão levar em consideração" na hora do voto.

Contradições. As declarações foram feitas em meio à polêmica sobre a posição de Dilma acerca do tema. A disseminação de e-mails dando conta de que, no passado, a candidata petista defendeu a descriminalização da prática é apontada como um dos motivos para o fato de ela não ter vencido já no primeiro turno.

Embora tenha reiterado a posição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que é contrária à manifestação partidária por parte dos membros da Igreja Católica, d. Odilo atenuou a atuação do bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergozini, que tem defendido o voto em Serra. "A posição da Igreja é de que não declaramos nem partido nem candidato. Agora, se alguém faz isso por responsabilidade própria, não é a posição oficial."

Subsídios. Segundo o cardeal, a função da Igreja no debate deve ser no sentido de dar subsídios para que o fiel tome sua decisão por conta própria. "A Igreja e a CNBB se propuseram a não indicar partidos nem candidatos. Mas a apontar critérios e princípios em relação à escolha, que deve ser livre e autônoma dos próprios eleitores. E essa também é a minha posição", disse.

D. Odilo descarta a hipótese de punição a religiosos que contrariarem a determinação da CNBB, uma vez que "eles são livres para se manifestar". Na opinião do cardeal, é "legítimo" que haja divergência de posições dentro do episcopado, mas isso não acarreta prejuízo para a unidade da Igreja. "Não há divisão na CNBB. Evidentemente que nós somos mais de 400 bispos católicos, membros da CNBB. Temos cabeças diferentes e, muitas vezes, posições diferentes."

A POLÊMICA DO ABORTO

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3 Reflexo

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