Andre Dusek/AE
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Cardozo ganha força para Ministério da Justiça

Integrante da equipe de transição de Dilma Rousseff já discute a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora em pontos tomados pelo crime organizado

João Domingos, Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

24 Novembro 2010 | 00h00

BRASÍLIA

O deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP) é o nome mais cotado para ser o novo ministro da Justiça. Ele tem mantido seguidas reuniões com a presidente eleita, Dilma Rousseff, para tratar de temas relativos à pasta da Justiça no próximo governo. Cardozo é também um dos três principais integrantes da equipe de transição de Dilma.

Dos temas relativos à segurança que vêm sendo debatidos entre a presidente eleita e Cardozo estão a continuidade da instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em pontos tomados pelo crime organizado, como as favelas do Rio, e também formas de combater o crack.

Este é um assunto que foi muito estudado pela equipe do programa de governo de Dilma Rousseff. E ela sempre falava na questão do crack tanto nas entrevistas coletivas durante a campanha quanto nos debates, quando as perguntas tratavam de temas relativos à segurança pública.

Tanto Dilma quanto Cardozo acreditam que serão necessárias ações de repressão ao tráfico do crack, no seu nascedouro, e diretamente nas cracolândias. Paralelamente, acham que o governo deve investir no apoio aos centros de recuperação de drogados que já existem, além da criação de novos.

Eles entendem ainda ser necessária uma ação nas fronteiras para o combate ao tráfico de drogas e de armas. Dilma é especialmente encantada com os Veículos Não Tripulados (Vants) comprados de Israel e que estão em fase de teste pela Polícia Federal. Quer adquirir novos modelos. Cardozo concorda com essa política e defende continuar a gestão do ex-ministro Tarso Genro - a começar pela independência e profissionalização da Polícia Federal (PF).

Perfil. Cardozo não se candidatou à reeleição como deputado federal pelo PT de São Paulo. Ele é secretário geral do partido e integra a corrente Mensagem ao Partido, da qual faz parte também o ex-ministro Tarso Genro, atual governador eleito pelo Rio Grande do Sul.

A avaliação é de que Cardozo tem independência suficiente do PT para comandar a PF, como provou quando integrou a Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, a CPI que investigou o mensalão do governo do presidente Lula, em 2005. Na Polícia Federal, o nome dele é considerado uma opção que não vai desviar a trajetória de profissionalização do órgão.

Cardozo também, recentemente, foi um dos relatores do projeto da Leia da Ficha Limpa. Na semana passada, ao ser homenageado pelo site Congresso em Foco, Cardozo elogiou a criação da Ficha Limpa.

"Costumo afirmar que o diálogo promove o avanço. E a aprovação mostra que a população pode e deve participar de outra proposta importante: a reforma política", destacou.

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) foi a principal entidade envolvida na coleta de assinaturas e na promoção da Lei da Ficha Limpa.

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