Andre Dusek/AE
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Cardozo quer pacto com oposição contra o crime

Novo ministro da Justiça diz que vai propor pessoalmente aos governadores tucanos Alckmin e Anastasia parceria no combate ao tráfico e à violência

Vannildo Mendes e Leandro Colon, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2011 | 00h00

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou ontem como prioridade de sua gestão a negociação de um pacto nacional com os governadores dos Estados, inclusive os de oposição, para combate ao crime organizado, o consumo de drogas e a violência no País. No seu discurso de posse, Cardozo afirmou também que o combate à corrupção, "venha de onde vier", terá papel central na Pasta.

Embora a segurança pública seja responsabilidade legal dos Estados, Cardozo disse que a União vai se envolver no enfrentamento direto à criminalidade. Ele disse que o momento é favorável a esse tipo de pacto federativo e observou que costurar o acordo, por sobre as divergências políticas, é o desafio que a presidente Dilma Rousseff lhe confiou. Em entrevista após a posse, Cardozo informou que vai agendar para fevereiro a primeira reunião com os governadores. Ele disse que vai procurar pessoalmente os tucanos Geraldo Alckmin, de São Paulo, e Antônio Anastasia, de Minas, para propor parceria no combate ao crime. A articulação será estendida ao poder Judiciário, Ministério Público e outras instituições ligadas à ordem pública.

Mas o ministro ressaltou que há um divisor de águas no horizonte do pacto. "Não poderão ter assento autoridades ou servidores que se curvaram ao peso da corrupção", avisou. Cardozo lembrou que o crime organizado só floresce quando autoridades corrompidas nele se inserem ou fecham os olhos à sua atuação. "Não podemos ser complacentes com a corrupção, não importa de onde ela provenha". Na plateia, o deputado Paulo Maluf (PP-SP), indiciado em inquéritos da Polícia Federal por corrupção e lavagem de dinheiro, ouviu em silêncio o discurso, sentado na primeira fila ao lado do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, um de seus algozes.

A experiência de ação integrada entre os entes federativos, adotada na retomada de territórios do tráfico no Rio de Janeiro, segundo Cardozo, será fortalecida e estendida "aos quatro cantos" do País. "O Rio nos deu um grande exemplo de que quando o poder público, meios de comunicação e sociedade se unem num objetivo, resultados acontecem", observou. Ele disse que vai agendar esta semana reunião com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, para detalhar a ação integrada da Polícia Federal com as Forças Armadas na faixa de fronteira, para reforçar o combate ao tráfico de armas e drogas.

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