Carga culpa carros por lentidão

Sindicato responsável por abastecimento lança campanha para defender imagem do setor

Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2008 | 00h00

O Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas de São Paulo e Região (Setcesp) quer dividir a responsabilidade dos problemas do trânsito com os veículos de passeio e conscientizar a população da importância do setor para o abastecimento. Ontem, no lançamento da campanha "Se tá na mão, veio de caminhão", o sindicato apresentou dados que mostram que no horário de pico os caminhões representam no máximo 6,3 % dos veículos em circulação. Já os carros chegam a 81,1%.Os dados porcentuais, contudo, não consideram o impacto que provoca no trânsito um caminhão quebrado. Na sexta-feira, um caminhão tombado na Marginal do Tietê no acesso à Via Dutra causou congestionamento de 17 quilômetros e, às 19h30, a lentidão chegou a 266 quilômetros - recorde para a noite na cidade."A prioridade para usar as ruas não deve ser apenas dos veículos de passeio", defendeu a economista da entidade Maria José Liberato. Segundo o Setcesp, hoje os veículos pesados representam cerca de 5% de toda a frota licenciada na capital. "Mesmo com as medidas para restrições de caminhões que vêm sendo tomadas nos últimos dez anos, o trânsito não melhorou", disse a economista. Anteontem, a Prefeitura publicou decreto que amplia a área de restrição para caminhões, a partir de 30 junho, para 100 km², das 5 às 21 horas. Transporte de valores, alimentos perecíveis e entulho são exceções, mas não rodam das 17 às 21 horas. Serviços de emergência, obras urgentes e cobertura jornalística ficarão livres.O presidente do Setcesp, Francisco Pelúcio, declarou que está preocupado com as normas. "O que precisamos agora é da liberação dos VUCs (Veículo Urbano de Carga, que é menor), se não teremos problemas de abastecimento", disse. Inicialmente, o decreto proíbe todos os caminhões, mas o secretário municipal de Transportes, Alexandre de Moraes, deve se reunir com os setores afetados para definir quais serão as exceções para os VUCs. Até ontem, a secretaria não havia calculado quantos caminhões sairão de circulação. O sindicato informou que, dos 210 mil caminhões que trafegam diariamente em São Paulo, 55 mil passam na atual Zona Máxima de Restrição de 25 km². "O que a CET nos disse é que nos 100 km² passam cerca de 30% (63 mil) dos caminhões", disse Maria José. Questionado se a campanha é uma pressão sobre a Prefeitura, o presidente da entidade só informou que pretende melhorar a imagem do setor. "A campanha foi contratada antes do decreto. Queremos provar a necessidade da carga", disse Pelúcio. Os dados estarão em um site (www.caminhao.org). O objetivo é provar que o caminhão não é o vilão dos congestionamentos. A Secretaria de Transportes não se manifestou sobre os dados. Dois decretos vão completar a regulamentação: um sobre exceções para VUCs e outro de ampliação do rodízio para caminhões nas Marginais e na Avenida dos Bandeirantes. O segundo deve ser publicado em dez dias.

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