Carioca se acorrenta a árvore contra novo piscinão

Um morador da Ilha do Governador passou quase seis horas acorrentado a uma árvore, nesta tarde, para protestar contra a construção de um lago artificial de água salgada no bairro, a exemplo do piscinão de Ramos, na zona norte, que se tornou ?point? do verão carioca. Ricardo Tavares, de 35 anos, que integra o movimento "Piscinão, afogue essa idéia", só aceitou deixar o local após ouvir que a obra ficaria paralisada até que fosse julgada uma ação popular contra a construção do piscinão de Cocotá.Tavares chegou ao Aterro de Cocotá ao meio-dia, acorrentou-se, fechou o cadeado e jogou a chave no mar. Ele decidiu protestar contra a retirada de 38 amendoeiras no local onde está sendo construído o novo piscinão. Somente às 17h45 policiais militares romperam as correntes. "A ilha tem 12 praias, 12 piscinas naturais, que só precisam ser despoluídas. Essa obra é eleitoreira. Ele (o secretário de Estado de Meio Ambiente, André Correia) só quer agradar o pessoal da zona sul, tirando a classe pobre das praias de lá", acusou Tavares, já livre.Tavares, que é diretor social da Associação de Moradores da Colônia de Pescadores Z-10, entregou um abaixo-assinado subscrito por 6.200 pessoas ao secretário municipal de Obras, Eider Dantas, pedindo que ele embargue a construção do lago artificial, que estaria sendo preparado num terreno da prefeitura. Dantas encaminhou o documento à Procuradoria do Município. "O piscinão vai trazer violência e trânsito caótico para a Iha. Além disso ele terá um terço do tamanho do piscinão de Ramos. A superlotação será inevitável", afirmou.A secretaria de Meio Ambiente confirmou que o lago de Cocotá será menor. Enquanto o piscinão de Ramos tem 27 mi metros quadrados, o tanque da Ilha terá 8,5 mil metros quadrados. A explicação é que a área disponível no Cocotá é inferior à encontrada em Ramos. A Assessoria de Imprensa do órgão informou que o secretário André Correia se reuniu com as associações de moradores da Ilha do Governador, e nenhuma das entidades havia se apresentado contra o projeto, que prevê o replantio de árvores. Ainda de acordo com a assessoria de Correia, o protesto de hoje foi uma "ação política de grupos ligados ao prefeito César Maia", inimigo político do governador Anthony Garotinho.Tavares negou qualquer ligação política. "Até sábado eu era presidente do Conselho Popular do senhor Anthony Garotinho. Mas não quero mais o cargo porque o governador não escuta a população", afirmou. André Correia não foi encontrado para comentar o episódio.

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