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Cariocas dormem em escola de samba para fugir de tiroteio

Pela segunda noite consecutiva, moradores do Morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro, dormiram na quadra da escola de samba Unidos de Vila Isabel e em praças públicas para fugir dos tiroteios entre quadrilhas de traficantes. A Associação de Moradores calcula que 2 mil pessoas tenham deixado as casas na tarde de domingo. O comandante da Polícia Militar, coronel Francisco Braz, disse que não há ?justificativa? para o medo dos moradores. Desde quinta-feira passada, quando começaram os confrontos, 10 pessoas morreram e três ficaram feridas.Os moradores começaram a descer o morro por volta das 17 horas de domingo. Cerca de 500 deles ocuparam a quadra da Unidos de Vila Isabel. Quando não havia mais espaço, eles se abrigaram no Centro de Umbanda Teodoro da Silva, num posto de gasolina, nas dependências da 20ª Delegacia de Polícia (carceragem feminina) e nos bancos da Praça Sete.O secretário de Estado de Ação Social, Adílson Pires, esteve na escola de samba e entregou colchonetes e cobertores aos moradores, mas em quantidade insuficiente. Comerciantes vizinhos distribuíram comida.?A gente não é indigente. Tem casa e comida. Mas teve que largar tudo, descer com a roupa do corpo porque essa violência é assustadora. É um medo muito grande e muita tristeza também de viver assim?, disse o camelô Alexsandro Nunes, de 24 anos, que passou a noite num ônibus que funciona como brechó ambulante e estava estacionado na Unidos de Vila Isabel.A quadra já estava lotada quando a dona de casa Denise, de 19 anos, desceu o Morro dos Macacos. Ela foi para a Praça Sete com a filha de 15 dias, nascida prematura de seis meses e meio de gestação. ?Agasalhei ela bem e fiquei na praça. Eu tenho medo da invasão da covardia. Minha casa foi toda furada. Prefiro enfrentar o frio e ficar inteira?, disse.A balconista Aline, de 18 anos, também dormiu na praça, com o filho de três anos, a avó, de 68, e dois sobrinhos. ?Cobrimos as crianças com jornal. Hoje não fui trabalhar, mas emprego eu arrumo outro. Vida eu só tenho essa.? As duas se recusaram a dizer o sobrenome por medo da reação dos traficantes.Desde sexta-feira, não há água nem luz no Morro dos Macacos. Os traficantes do Morro São João destruíram um distribuidor de energia durante a tentativa de invasão à favela vizinha para tomar pontos de venda de drogas da quadrilha rival. Sem eletricidade, as bombas d?água não funcionam.Hoje, o comandante-geral da Polícia Militar, Francisco Braz, inspecionou o morro, acompanhado dos comandantes dos batalhões da área, do Comando de Policiamento da Capital (CPC) e do Batalhão de Operações Especiais (Bope). ?Não sei o que levou os moradores a deixarem suas casas. Não é a primeira vez que há tiroteio em morro, não há nada que justifique esse movimento. A PM está presente e a comunidade deve confiar nela ? desde o comandante ao último dos soldados?, afirmou Braz.O comandante vistoriou ainda os morros São João e da Matriz, vizinho ao Morro dos Macacos, além de passar próximo ao Morro do Rato Molhado. Ele determinou a ocupação permanente do Bope na região.Enquanto os moradores dos Macacos se abrigavam na quadra de uma escola de samba para fugir da guerra do tráfico, perto dali um homem armado roubava o Ômega do flho do comandante Braz, Marcelo Braz, de 21 anos. Ele e a mulher, Alessandra, estavam parados num sinal de trânsito na rua Gandavo, atrás do Norte Shopping, quando foram abordados pelo assaltante. Até a tarde de hoje, o carro não havia sido recuperado. ?Ele é um cidadão como outro qualquer e também está sujeito à violência. O roubo de carro ainda é um problema que preocupa e esse assunto vai ser discutido no encontro de hoje à noite?, afirmou o coronel Braz, referindo-se à reunião com integrantes das polícias Federal, Militar e Civil para discutir a segurança no Estado.

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