Fabio Motta/AE - 10/12/2007
Fabio Motta/AE - 10/12/2007

Cariocas protestam contra mudança em bondes de Santa Teresa

Moradores pedem retirada do sistema dos novos bondes, que não têm freio manual; acidente matou professora

Agência Brasil,

24 Agosto 2009 | 11h11

Moradores de Santa Teresa, no centro do Rio, realizaram um ato público na manhã de domingo, 23, para reclamar do descaso do governo do Estado na gestão do sistema de bondes do bairro, tradicional ponto turístico da cidade. O protesto ocorreu uma semana depois do acidente entre um bonde, um táxi e um ônibus que matou a professora Andréa de Jesus Resende, 29 anos, e deixou nove pessoas feridas.

 

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Ao ser atingido pelo táxi numa rua do bairro, o sistema de freios eletrônicos, implantado recentemente no bonde, falhou e o veículo desceu de ré, batendo, em seguida, na lateral de um ônibus que subia a ladeira.

 

A vice-presidente da Associação de Moradores e Amigos de Santa Teresa (Amast), Juçara Braga, explicou que há cerca de cinquenta dias tramita uma ação na Justiça Federal pedindo a retirada do sistema dos novos bondes, que não têm freio manual. Segundo ela, a associação vem denunciando o problema há meses.

 

"Na véspera do acidente, mandamos uma nota à imprensa denunciando um acidente que tinha acontecido na segunda-feira anterior e dizendo que era preciso tomar providências antes que um acidente pior acontecesse."

 

Para Juçara Braga, o governo do Estado precisa assumir oficialmente a responsabilidade sobre o acidente, que teria sido causado "porque a Secretaria de Transportes mudou a tecnologia dos bondes antigos".

 

A Secretaria Estadual de Transportes contestou, na última semana, os argumentos da Associação de Moradores de Santa Teresa para justificar o que teria provocado o acidente. De acordo com a nota da secretaria, o bonde não perdeu o freio, mas acionou o de emergência e o veículo derrapou. O governo do Estado, segundo o órgão, tem interesse em zelar pela segurança dos usuários do serviço. Para isso, o secretário de Transportes, Julio Lopes, determinou uma auditoria a fim de averiguar o que de fato ocorreu no momento do acidente.

 

Desde quinta-feira passada, por pressão da Amast, os bondes reformados não estão circulando. Dos 14 bondes, sete foram reformados. Desde então, apenas dois bondes antigos estão funcionando.

 

A família da professora morta no acidente anunciou que vai entrar com uma ação na Justiça contra o governo estadual. Na terça-feira, 25, os moradores farão uma manifestação, a partir das 11 horas da manhã, em frente ao prédio da Justiça Federal no Rio, no centro da cidade, onde tramita a ação apresentada pela Amast.

 

O governador, Sérgio Cabral, anunciou na semana passada que o controle do sistema de bondes de Santa Teresa, hoje sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro, passará para a prefeitura.

 

O deputado Alessandro Molon, do PT, enviou ofício ao secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, pedindo que o estado suspenda o pagamento de quaisquer valores em favor da TTrans, empresa que fez a reforma dos bondes de Santa Teresa. No documento, o parlamentar destaca que o Tribunal de Contas do Estado considerou ilegal o contrato da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística (Central), operadora dos bondes, com a TTrans.

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