Carla Cepollina presta primeiro depoimento nesta segunda

A advogada Carla Cepollina, de 40 anos, prestará nesta segunda-feira seu primeiro depoimento à Justiça de São Paulo como ré no processo criminal sobre o assassinato do coronel Ubiratan Guimarães, em setembro de 2006. Carla, então namorada de Ubiratan, é acusada de homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e sem dar chance de defesa à vítima. Ela nega a autoria do crime. A investigação do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) - cuja tese foi encampada pelo Ministério Público Estadual - concluiu que Carla é a autora do homicídio por exclusão. Esse raciocínio não é raro em investigações policiais. Muitas vezes é a única forma de se chegar ao culpado. No caso de Ubiratan, não existe prova incontestável da culpa da advogada, como a declaração de testemunha que dissesse ter visto o crime, a gravação em vídeo do momento do tiro ou o resultado de exame atestando vestígios de pólvora na mão dela. O porteiro do prédio do coronel não relatou ter visto outra pessoa subindo ao apartamento dele além da namorada. Por meio da quebra do sigilo telefônico de Ubiratan e de pessoas ligadas a ele, os investigadores dizem que foi possível concluir que Carla ainda estava no apartamento após o crime. O coronel foi encontrado morto com uma toalha enrolada na cintura, o que faz pensar que era próximo do assassino. Não havia porta arrombada, nada foi levado, a arma do crime foi um revólver calibre 38 de Ubiratan. A partir do depoimento, o caso será reexaminado. Testemunhas ouvidas pela polícia prestarão declarações novamente. Outras serão ouvidas. Novos laudos serão feitos, mais provas produzidas. Ao fim dessa fase de apuração, o juiz Alberto Anderson Filho, presidente do 1º Tribunal do Júri da capital, decidirá se Carla irá ou não a júri popular. Criminalistas dizem que, caso a advogada vá a júri, a defesa terá grandes chances de absolvê-la. Mais importante é a margem de manobra dos advogados de Carla em relação à tese do crime. Por enquanto, nega-se com veemência a autoria do crime. Mas a tese pode mudar se, ao longo do processo, o caso se complicar (com aparecimento de novas provas), ou mesmo no plenário do júri (caso a defesa sinta que a negativa não convence). "Com o histórico de vida dele, quem iria duvidar se ela alegasse que após discussão, ele já tinha bebido, ficou agressivo, partiu para cima dela e ela atirou para se defender?", afirma um criminalista. Segundo eles, sob alegação de legítima defesa, ela será absolvida. E emendam: "Se o (ministro) Márcio Thomaz Bastos assumir o caso, então, nadará de braçadas." Cronologia das investigações 10 de setembro: O coronel da reserva e deputado estadual Ubiratan Guimarães, de 63 anos, é encontrado morto, em seu apartamento, com um tiro no abdome. 11 de setembro: Perícia no telefone do coronel indica crime passional, e a polícia começa a trabalhar com a hipótese de que Carla Cepollina, namorada de Ubiratan, possa ter feito o disparo que o matou. 16 de setembro: Carla divulga nota em que se diz ?perseguida?. 20 de setembro: Exames do IML reforçam tese da polícia de que Ubiratan foi morto entre 19 horas e 20h30 do dia 9. Porteiros do prédio em que ele morava dizem ter visto a saída de Carla naquela noite. 21 de setembro: Em depoimento, a empregada de Carla diz que a roupa usada pela advogada no dia do assassinato do coronel tinha manchas vermelhas. 23 de setembro: Peritos do Instituto de Criminalística fazem seis disparos no apartamento onde Ubiratan foi morto e comprovam que tiros poderiam ser ouvidos por Vizinhos. 26 de setembro: Peritos concluem que Carla Cepollina estava no apartamento de Ubiratan quando ele foi morto. 27 de setembro: Carla Cepolina é indiciada por homicídio doloso duplamente qualificado, por motivo fútil (ciúmes) e impossibilidade de defesa da vítima (que estava desarmada e alcoolizada). Ela se diz inocente. 4 de outubro: O Instituto de Criminalística comprova que o Ubiratan foi assassinado com a própria arma, um revólver 38, que desapareceu de seu apartamento após o crime. 13 de outubro: O delegado Armando de Oliveira da Costa Filho, chefe do DHPP, diz que o inquérito está concluído. 19 de outubro: Habeas-corpus é negado a Carla Cepollina. 25 de outubro: Tribunal de Justiça de São Paulo nega, pela segunda vez, habeas-corpus preventivo a Cepollina. A decisão, unânime, foi tomada pela 9ª Câmara Criminal. 21 de novembro: Carla Cepollina torna-se ré no caso que investiga a morte de Ubiratan Guimarães. O juiz Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, acolheu a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) contra a advogada. Esta matéria foi atualizada às 12h51 para acréscimo de informações

Agencia Estado,

05 Fevereiro 2007 | 07h46

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