Carla é indiciada pela morte de Ubiratan Guimarães

A polícia indiciou nesta quarta-feira, 27, a advogada Carla Cepollina pelo assassinato do coronel e deputado estadual Ubiratan Guimarães, ocorrido no dia 9. Segundo o promotor Luiz Fernando Vaggione, o inquérito do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) deve ficar pronto em dez dias e ele terá os elementos necessários para que Carla seja denunciada à Justiça, próxima etapa do processo. ?Há indícios mais do que suficientes para o oferecimento de uma acusação formal.?Carla chegou ao DHPP às 14h30, para o reinício do interrogatório suspenso na segunda-feira. Ela nega a autoria do crime. A polícia indiciou a advogada por homicídio duplamente qualificado: motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. No fim do interrogatório, por volta das 21 horas, Carla foi fichada.Pela primeira vez em mais de duas semanas de investigação, o DHPP não tratou Carla e sua mãe, Liliana Prinzivalli, com diplomacia. O carro da polícia que as conduziu parou na rua, e não na garagem. Para chegar à porta, elas tiveram de caminhar entre os jornalistas.Para Vaggione, uma ?avalanche de indícios? comprova que Carla ?é a assassina do coronel?. ?Só não há mais indícios porque ela ocultou provas.? Ele disse, como exemplo, que a namorada entregou para perícia uma camisa escura, mas usava uma clara no dia do crime.O advogado de Carla, Antônio Carlos de Carvalho Pinto, alegou desconhecer qualquer ocultação de provas. Segundo ele, se existe essa informação, não foi incluída no inquérito policial. Carvalho Pinto disse que a polícia não tem provas para apontar a cliente como autora do crime e que ?o DHPP deveria ser mais prudente e cauteloso?. A perícia já tem em mãos o resultado do exame residuográfico das mãos de Ubiratan: não havia vestígios de pólvora. Isso sinaliza que o coronel não usou arma de fogo. Faltam resultados dos exames de duas toalhas e dois copos de caipirinha recolhidos no apartamento, nove CDs do circuito interno de TV do prédio de Carla, um computador da namorada e as roupas que ela entregou como sendo as usadas no dia do crime. Na terça-feira, o delegado Armando de Oliveira Costa Filho, titular da Divisão de Homicídios, disse que, independentemente do resultado dos laudos, o caso estava ?100% esclarecido?.Antes do depoimento da filha, Liliana, que também é advogada, pôs sob suspeita a atuação da polícia e criticou o delegado do DHPP. ?Isso é uma coisa que eu vou mandar para outros países, para a ONU, para ver o tipo de investigação que é feita aqui?, afirmou. ?Entendo o desespero de uma mãe na situação dela?, disse Costa Filho.

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