Carla terá de depor nesta segunda ou pode ser presa

A advogada Carla Prinzivalli Cepollina, de 40 anos, apontada pela polícia como a única suspeita de ter assassinado o namorado, o coronel e deputado estadual, Ubiratan Guimarães, deve comparecer ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) nesta segunda-feira, 25, para um novo depoimento a partir das 10 horas. Caso ela não compareça, pode ter a prisão decretada pela Justiça.A mãe de Carla, a também advogada Liliana Prinzivalli, garantiu que sua filha vai comparecer ao DHPP para prestar o novo depoimento. A expectativa é que após o depoimento ela seja inidiciada (acusada formalmente) pelo assassinato de Ubiratan, morto com um tiro no abdome no último dia 9, em seu apartamento nos Jardins, na zona sul da capital. Liliana afirmou, em carta enviada à imprensa no sábado, que o indiciamento de sua filha é ?ridículo e constrangedor?. E completou: ?Esse indiciamento de Carla é uma coação, uma ilegalidade jurídica, pois foi decretado sem a apresentação de nenhuma prova, apenas suposições, definições de mais ou menos.?Entrevista na GloboNeste domingo, 24, Carla, que nega a autoria do crime com a alegação de que não teria motivos para matar o namorado, voltou a se defender das acusações e declarou que é inocente em entrevista concedida ao Fantástico, na TV Globo deste domingo, 24. "Você não mata uma pessoa que você gosta, que você se dá bem, que você tem um relacionamento sólido. A duas semanas da eleição com a eleição ganha, com planos para o futuro", declarou. "Eu gostava de ficar com ele".Ela afirma que, quando deixou o apartamento do namorado Ubiratan, ele estava vivo e dormindo, na noite do dia 9. "A polícia está naturalmente sendo pressionada e tem que achar um culpado e a impressão que eu tenho é que para a imprensa e para algumas pessoas da polícia esse é o pato da vez", declarou. "Eu tenho que justificar o que eu não fiz. Eles não têm que provar que eu sou culpada. Eu que tenho que provar que sou inocente, está tudo invertido".Carla só aceitou conceder a entrevista com a condição de não mostrar o rosto porque tem medo e justificou mostrando uma ameaça deixada em sua secretária eletrônica. "Carla Cepollina. Você matou, você vai morrer. Você mexeu com quem não devia. Vai demorar um pouquinho, mas você vai conseguir chegar aonde ele está. a sete palmos da terra".Carla confirmou que passou o dia com o namorado, mas afirmou que quando saiu do apartamento o coronel estava vivo. "Estivemos junto no comitê, fomos à hípica, voltamos para o comitê, fomos para a casa dele. Eu fui embora e ele ficou dormindo. Não tem nenhuma prova para essa execração pública que eu estou sofrendo, nenhuma", ressaltou. InvestigaçõesAo ser questionada sobre uma possível briga que teria ocorrido na noite do crime por causa de um telefonema de uma delegada federal para o coronel, Carla desmente. "Ele era uma pessoa assediada e eu brincava com isso e ainda falava: Olha, ano eleitoral vale tudo! Normal, no começo isso me incomodava um pouco, depois a gente brincava". Segundo ela, Ubiratan tinha muitos desafetos por causa da carreira na polícia e na política. A advogada afirmou que quando saiu do apartamento de Ubiratan Guimarães o revólver que teria sido usado para matar o coronel, que desapareceu da cena do crime, estava sobre um imóvel. "Eu falei aonde estava a arma quando eu sai, como era a arma... Não sei, não sei, não sei onde está essa arma, o que aconteceu com a arma, não sei". A imagem que mostra a hora em que Carla chegou na casa dela na noite do crime está sendo analisada apela polícia. As roupas que ela usava foram entregues para análise. Os peritos procuram vestígios de pólvora para saber se ela disparou uma arma.A advogada afirmou que namorava Ubiratan há 2 anos e 4 meses e que aprendeu a lidar com o temperamento rígido do coronel. "O Ubiratan tinha um gênio muito difícil. Ninguém mandava nele, ninguém falava pra ele o que ele tinha que fazer. Então, esse papo de ele não estava, vocês estavam brigando, com ele não tinha isso. Ou era, ou não era, "explicou Carla. Segundo ela, o coronel andava armado constantemente e, ultimamente, ele estava mais preocupado com a possibilidade de sofrer um atentado. "Porque aumentaram muito o número de armas na casa dele, começou a aparecer arma. Tinha no gaveteiro, no armário das camisas, porque ele não queria mais que o filho dormisse lá. Então, ele estava ultimamente um pouco mais inquieto". Carla disse que não sabe se o coronel recebeu alguma ameaça concreta porque ele nunca falava sobre isso."Você acha que dá pra ter uma relação de ciúmes com uma pessoa livre, que faz o que quer, na hora que quer, e que é homem político? ", rebateu Carla ao ser questionada sobre a tese da polícia de crime passional.DepoimentosSegundo a Polícia Civil, após o interrogatório desta segunda, Carla vai ser indiciada por homicídio doloso duplamente qualificado (assassinato cometido por motivo fútil e sem oferecer chance de defesa à vítima). Carla já prestou outros três depoimentos - um informal no dia 11 e depois, dois depoimentos formais.Em todas as ocasiões ela se mostrou disposta a cooperar com os policiais e não deu depoimentos contraditórios. O promotor Luiz Fernando Vaggione que, acompanha as investigações, disse que, até agora, Carla colaborou com os trabalhos da polícia e por isso não foi necessário pedir sua prisão à Justiça.Vaggione participou do teste acústico realizado anteontem à noite no prédio onde o coronel morava, na Rua José Maria Lisboa, para saber se era ou não possível ouvir, de apartamentos vizinhos, um barulho de disparo de arma de fogo. Peritos consideraram a resposta ao teste positiva.IndíciosO DHPP chegou a encontrar indícios contra Carla ao confrontar as ligações feitas e recebidas pelo telefone fixo do coronel Ubiratan. Segundo o DHPP, a última ligação para ele foi feita às 20h26 do dia 9 por uma amiga, a delegada da Polícia Federal Renata Azevedo dos Santos Madi. Policiais do DHPP apuraram que Carla ainda estava no apartamento do coronel e atendeu à ligação. Para o DHPP, naquele horário Ubiratan já tinha sido assassinado, porque moradores do prédio declararam à polícia que ouviram o tiro que o matou entre 19 horas e 19h30.Para o deputado federal Vicente Cascione, advogado dos filhos de Ubiratan, Carla é a única suspeita pelo assassinato do coronel: ?Desde o início venho dizendo que ela é 100% suspeita?, afirmou o parlamentar, que acompanhou o teste da perícia feito no sábado. Matéria atualizada às 09h00 de 25/09

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.