Carnaval 2010: desfile da Beija-Flor ignora 'panetones'

Escola apresentará no Sambódromo enredo que narra história da construção de Brasília

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

06 de fevereiro de 2010 | 12h02

SÃO PAULO - Nada de dinheiro na meia ou panetones. Em sua homenagem aos 50 anos de Brasília, a Beija-Flor de Nilópolis levará para o Carnaval do Rio a história do povo que construiu a capital do País, deixando de lado os casos de corrupção.

 

especialMapa das escolas: Ouça os sambas e acompanhe as letras

"Desde o início nós optamos por não olhar para dentro dos ministérios, mas sim para a história do povo", explica Alexandre Louzada, um dos integrantes da Comissão de Carnaval responsável pelo enredo "Brasília 50 anos". "A corrupção é brasileira, não brasiliense. E o Arruda não é brasiliense", lembra. Arruda nasceu em Minas Gerais.

A referência é feita ao atual governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, envolvido em um suposto esquema de coleta e distribuição de propinas. No auge do escândalo, no ano passado, imagens mostravam Arruda recebendo dinheiro e o então presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Leonardo Prudente, colocando pacotes com notas no bolso e nas meias. Em sua defesa, o governador afirmou que o dinheiro foi usado para a compra e distribuição de panetones.

Apesar de ignorar os casos mais recentes de corrupção, a Beija-Flor não conseguiu fugir da polêmica. No desfile que começa às 2h25 da madrugada de domingo, boa parte dos 3.750 integrantes da escola vai utilizar fantasias bancadas pelo governo do Distrito Federal. Dos R$ 8 milhões que a escola vai gastar no desfile, R$ 3 milhões vieram de patrocínio.

"O enredo é fruto de uma licitação pública que passou por várias etapas. E a Beija-Flor venceu", diz Louzada. "Era desejo do governo que uma das escolas do Rio homenageasse os 50 anos de Brasília. E nós vamos fazer isso."

Na homenagem, a escola vai utilizar oito carros alegóricos, distribuídos entre 44 alas. Na voz do histórico intérprete Neguinho da Beija-Flor, o samba vai contar a história da criação da cidade, com direito a detalhes que muitos brasileiros nem conhecem.

"A Inconfidência Mineira, além da separação de Portugal, tinha como objetivo transferir a capital para o interior do País", explica Louzada. "Dom Bosco, fundador (da ordem) dos salesianos, também já havia tido uma visão em 1883 de que uma cidade seria criada naquele local. E José Bonifácio, no primeiro ano de nossa Independência, já dizia que seria Brasília a nova capital do País."

Além do resgate histórico, a Beija-Flor fará uma homenagem em azul e branco aos homens que construíram a cidade. Entre eles estão o arquiteto Oscar Niemeyer, o presidente Juscelino Kubitschek e os trabalhadores de diferentes regiões do País que foram para o Planalto Central erguer a nova cidade. Pelo menos no carnaval, a corrupção ficará de fora.

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