Carnaval de Paraitinga é cancelado para reconstrução

Um homem de 28 anos morreu vítima de desabamento no centro histórico da cidade

Bruno Paes Manso, enviado especial,

03 Janeiro 2010 | 22h57

Inundação causou destruição no centro histórico de São Luís do Paraitinga

 

SÃO LUÍS DE PARAITINGA, SP - Reerguer a cidade a partir dos poucos imóveis que sobraram de pé sem festejar o carnaval. A prefeita de São Luís do Paraitinga, Ana Lúcia Bilard Sicherle (PSDB), anunciou neste domingo, 3, que, por causa dos prejuízos causados pela maior enchente da história da cidade, o Estado de São Paulo não vai festejar neste ano um dos seus mais tradicionais carnavais. "Vai ter de construir tudo de novo. Os prédios que não caíram estão condenados. Não vai ter jeito de receber turistas." A cidade registrou uma morte causada por desabamento. Um jovem de 28 anos, cujo nome não foi divulgado, foi vítima no bairro do Bom Retiro, a 10 km do centro histórico.

 

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A prefeitura, que decretou estado de calamidade pública na cidade do Vale do Paraíba, avalia que os prejuízos cheguem a R$ 100 milhões. No comércio, somente um supermercado não foi atingido. Dos 12 mil moradores, cerca de 5 mil estão sem casa. Farmácias e hospitais foram atingidos. Neste domingo, a prefeitura solicitou 40 medicamentos de urgência, como insulina e remédios para pressão.

 

Não se colocam nesse cálculo os prejuízos ao patrimônio histórico. Além da Igreja Matriz, do século 19, e da Igreja de Nossa Senhora das Mercês, do 18, ao menos dez casarões ruíram. Cerca de 20 casas nas encostas ainda correm o risco de desabar. Quatro geólogos avaliam as condições de casas para receber moradores de volta.

 

As águas do Rio Paraitinga já haviam baixado quatro metros neste domingo. Parte de alguns prédios que estavam submersos começou a aparecer. A previsão era de que o rio, que subiu mais de dez metros, entrasse no leito em três dias. "As águas que chegam da bacia de Cunha, que contribuíram com as cheias, ainda estão fortes. Ainda existe previsão de chuva. Por isso a situação não vai voltar ao normal mais rapidamente", afirmou Luiz Massao Kita, secretário chefe da Casa Militar e coordenador da Defesa Civil Estadual.

 

Kita informou que 300 servidores da Defesa Civil, polícias, Sabesp e Departamento de Estradas de Rodagem estão destacados na cidade para prestar assistência. O Exército colabora, com efetivo não confirmado.

 

Saques e resgates

 

Na madrugada deste domingo, houve confusão na parte isolada da cidade e tentativas de saque durante a distribuição dos alimentos na única igreja que sobrou. A Casa Militar destacou 40 policiais para conter o problema, que não voltou a ocorrer.

 

Os trabalhos de retirada dos moradores que estavam ilhados na parte alta da cidade transcorreram durante todo o dia. "Tinha pouca água e comida, mas conseguimos nos alimentar. Com a retirada de quem queria deixar a parte ilhada, a situação melhorou", disse Keith Alves, que voltou com os dois filhos para a área seca.

 

Os bombeiros levaram mantimentos para moradores e transportaram turistas e quem precisou de cuidados médicos. Cerca de 500 pessoas foram retiradas, 70% delas em botes. Foram transferidos 18 idosos que viviam num abrigo destruído. Os demais desabrigados estão dormindo na casa de parentes e amigos ou estão na creche municipal e na igreja. "A população foi muito solidária", disse Luiz Ermínio, que coordena os serviços da creche.

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