Carnaval do Rio quer superar crise de 2009 com hotéis lotados

Exposição durante anúncio da sede dos Jogos Olímpicos foi mais eficaz do que publicidade oficial

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

27 Janeiro 2010 | 18h17

RIO - Em 2009, a crise financeira mundial prejudicou o carnaval do Rio, que sofreu uma queda de 40% no volume de turistas. Para este ano, as perspectivas são bem melhores: a taxa de ocupação dos hotéis deve ficar próxima de 100% (muitos já estão com as reservas esgotadas) e o número de pacotes fechados deve ser 15% superior ao do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens. Tudo graças à superação da crise e também à propaganda da cidade por conta da campanha pela Olimpíada de 2016, acredita o setor.

 

"No réveillon, ficamos perto de 100%, e no carnaval isso deve se repetir. O dólar continua desvalorizado, então é muito mais barato o turista ir para cidades como Buenos Aires. Mas lá não tem carnaval", disse Alfredo Lopes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis, lembrando que, durante o carnaval, a proporção é geralmente de 70% de visitantes estrangeiros contra 30% de brasileiros - este ano, a divisão deve mudar para 50% cada.

 

A avaliação dos envolvidos com turismo é que a exposição de imagens do Rio durante horas, no dia do anúncio da sede dos Jogos Olímpicos, foi mais eficaz, em termos de atração de turistas, do que anos e anos de campanhas do governo federal no exterior. O fato de o Rio ter sido escolhido, em novembro, o melhor destino gay do mundo também contribuiu, assim como o destaque dado ao Rio entre as cidade-sede da Copa do Mundo de 2014.

 

Nascido no Paraná, o estudante Jean Lucas Farezin, de 20 anos, que mora nos Estados Unidos desde os cinco anos, estava tão ansioso para aproveitar o dia de sol ontem que foi para a praia do Leblon ainda com a mala. "Estava em São Paulo visitando minha mãe e vim da rodoviária direto para cá. Quero aproveitar e conhecer o carnaval do Rio, tenho muita curiosidade", contou o rapaz, que vive em Boston, onde tem enfrentado temperaturas abaixo de zero - ontem, curtiu os 34 graus do verão carioca.

 

Os amigos israelenses Yoram Bason, de 41 anos, e Rafael Yam, de 35, também já vieram pensando em ficar para a folia. "É um sonho estar aqui. Nem me importo quando chove. Continua fazendo calor, é só pegar o guarda-chuva", brincou Yam, encontrado pela reportagem passeando na orla.

 

Eles vieram de avião, mas há quem prefira chegar de navio. Esta é a temporada mais movimentada de cruzeiros marítimos da história do Rio: estão previstas 226 atrações até abril. É, também, a mais longa: começou em outubro. No total, serão 750 mil turistas (na temporada passada, foram 480 mil), e uma injeção de US$ 246 milhões na cidade, nos cálculos da Associação Brasileira dos Operadores de Turismo Receptivo Internacional.

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