Carnaval e futebol têm vaga na escola da sigla

Aula inaugural atrai ex-passista da Imperatriz e árbitro de futebol

Bruno Boghossian / RIO, O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2011 | 00h00

Além de políticos calejados, a chapa de vereadores do PSD do Rio em 2012 pode trazer uma ex-passista da escola de samba Imperatriz Leopoldinense e um árbitro da primeira divisão do campeonato carioca.

À espera do registro do Tribunal Superior Eleitoral, o partido deu início na terça-feira ao curso Seja Vereador, com taxa de inscrição de R$ 10 e a promessa de ensinar o "passo a passo da vitória" ao candidato mais inexperiente.

Na aula inaugural, houve espaço para discussões abstratas, do "novo paradigma do funcionalismo público" à "relação intraorgânica das secretarias". O que movimentou as canetas e bloquinhos dos cerca de 40 candidatos de primeira viagem, porém, foram conselhos mais corriqueiros.

"Cuidado com bebida alcoólica nas reuniões que você organizar na pré-campanha. Corta ela! Nada! Zero!", enfatizou Marco Vales, ex-vice-prefeito do Rio e um dos palestrantes. "Também não ofereçam churrasco. Isso derruba candidato! O convidado só vai lá pra comer!"

Em quatro horas (com intervalo para lanche), os alunos receberam informações sobre o calendário eleitoral e sugestões de estratégias para a pré-campanha - identificar os adversários, definir um reduto eleitoral e conversar com o maior número de pessoas possível, mas sem pedir votos abertamente.

Para impulsionar as potenciais candidaturas, o ex-deputado Indio da Costa, presidente regional do partido, promete fornecer material de campanha e transporte para cabos eleitorais, o que entusiasmou os novatos.

A coreógrafa e ex-passista Sandra Oliveira voltou ao Brasil há 15 dias, após temporada na Europa, e nunca tinha ouvido falar no PSD antes de ver os cartazes da sigla na sala de aula. Mesmo assim, levou para casa uma ficha de filiação.

"Quando eu estava fora do País, comentava com a minha família que queria ser vereadora. Meu filho viu um outdoor perto de casa e resolveu me avisar", disse Sandra, que é moradora do Complexo do Alemão e pretende fazer campanha nas quadras das escolas de samba da região.

O PSD também deve servir de escape para o professor Lenílton Rodrigues, que é árbitro do campeonato carioca de futebol. No ano passado, foi candidato a deputado estadual pelo PDT e tirou R$ 2 mil do próprio bolso para promover seu nome, mas recebeu só 2.447 votos.

"A gente acha que vai ter 40 mil votos, mas ao longo da campanha vai percebendo que a realidade é outra", comentou. Os nomes dos interessados serão avaliados por uma comissão do próprio PSD, que decidirá quem serão os 77 lançados pelo partido no ano que vem para as 51 vagas na Câmara Municipal.

No Rio, o partido orientou os futuros candidatos a apoiar o prefeito Eduardo Paes (PMDB), que disputará a reeleição. "Quem fizer oposição neste momento tem de ter cuidado para não se tornar um chato", alertou Indio, que mantém na entrada da sede temporária do PSD fluminense uma foto ao lado de José Serra (PSDB), de quem foi vice na campanha de 2010.

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