Angela Lacerda/Estadão
Angela Lacerda/Estadão

Carnaval em Olinda continua nesta Quarta-Feira de Cinzas

Com orquestra de frevo e muita animação, o bloco Bacalhau do Batata percorreu três quilômetros da área histórica da cidade

Angela Lacerda, O Estado de S. Paulo

18 de fevereiro de 2015 | 11h19

Atualizado às 14h50

OLINDA - Com o tempo ainda chuvoso, foliões começaram a se concentrar no Alto da Sé, em Olinda, por volta das 8 horas, no horário de Brasília, confirmando que Quarta-Feira de Cinzas ainda é dia de carnaval em Olinda. Ao som do frevo do Munguzá de Zuza, comeram o munguzá - a base de milho e leite - na concentração do Bacalhau do Batata, para aguentar a maratona.

Com seu estandarte repleto dos ingredientes de uma bacalhoada, com cebola, coco, tomate, pimentão, cenoura, batata e bacalhau, o Bacalhau do Batata ganhou as ruas de Olinda na manhã desta quarta-feira como faz há 53 anos, com orquestra de frevo e muita animação.

O desfile do Batata saiu do Alto da Sé, às 11 horas,  e percorreu um roteiro de cerca de três quilômetros pela área histórica de Olinda, que inclui a Ladeira da Sé, Bonfim, Quatro Cantos, Ribeira, Varadouro e Largo do Amparo.

"Sempre venho, adoro este carnaval que a gente pode trazer a família, com espaço e alegria", disse Taciana Santos, acompanhada do marido e do filho de um ano e sete meses. Ela participava da folia antes do nascimento do filho e veio com ele também no ano passado. "Todos adoram", resumiu.

A brincadeira na quarta-feira teve início em 1962, quando o garçom Isaías da Silva Pereira, o Batata, apaixonado pelo carnaval criou o bloco para poder aproveitar a festa. Como quase tudo na folia pernambucana, virou tradição. Batata morreu em 1993, mas a farra da Quarta-Feira de Cinzas permanece.

Há 20 anos, o músico Zuza Miranda se agregou à festa do Bacalhau do Batata, com a mulher Taís. Os dois estão retratados em bonecos gigantes presentes na folia. Ele chega à Sé mais cedo, antes do bloco do garçom já famoso, com música e o munguzá para dar "sustança" e energia aos foliões antes da saída do bloco pelas ladeiras de Olinda. 

Uma das homenageadas deste ano pela agremiação, Maria José das Neves, de 61 anos, disse estar muito feliz com o que considerou reconhecimento à dedicação, amor e "paixão fora do normal" pelo Bacalhau, onde ela brinca desde os 9 anos. Ela é uma das carregadoras do estandarte.

Zezé, como é conhecida, lembra que, quando Batata e alguns garçons tiveram a ideia de criar a agremiação, "a Quarta-Feira de Cinzas era realmente de cinzas, não tinha nada, uma tristeza".  Depois do Batata, que surgiu como uma alternativa para os foliões que trabalhavam no carnaval e não podiam desfrutar da folia, muitos se animaram a criar suas próprias formas de brincar na quarta-feira

Mas não é só de Bacalhau do Batata e de Zuza e Taís que vive a Quarta-Feira de Cinzas em Olinda. A programação do carnaval olindense prevê o desfile de vários blocos ao longo do dia, como Jaula, Cabeça de Galo, Afoxés do Zumba e Bois da Boa Hora.


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