Caron cai, defende órgão e diz que demissões foram ''desnecessárias''

Diretor de Infraestrutura é 1º petista a perder cargo, o que ocorreu após o 'Estado' revelar uso de verba para fazer casas

Eduardo Bresciani, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2011 | 00h00

Primeiro petista a cair em virtude da crise no Ministério dos Transportes, o diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Hideraldo Caron, deixou o posto ontem defendendo a atuação da autarquia. Caron pediu demissão depois de o Estado revelar sua atuação para liberar R$ 30 milhões para a construção de casas em Canoas (RS), cidade administrada pelo prefeito Jairo Jorge (PT). O dinheiro, no entanto, era destinado a estradas. O contrato foi celebrado apesar de pareceres contrários da Advocacia-Geral da União (AGU).

Caron saiu por pressão da presidente Dilma Rousseff. Ele tentou negociar a permanência com o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), mas Dilma mandou que saísse. Em entrevista ontem, depois de entregar a carta de demissão ao ministro Paulo Sérgio Passos (Transportes), Caron fez uma extensa defesa da gestão do Dnit e disse que as denúncias de irregularidades se devem ao volume de obras da autarquia. "O Dnit melhorou muito. Com o volume de obras que temos, o nível de irregularidades que tivemos é muito pequeno."

Indagado se concordava com a "faxina" que já levou à saída de outras 17 pessoas ligadas aos Transportes, o diretor afirmou que muitas das demissões eram "desnecessárias". Disse, porém, não guardar ressentimentos por entender que há uma decisão política de reestruturar a área. "As circunstâncias políticas estão levando a este epílogo. Isso é natural, não estou nem um pouco desanimado ou desiludido com isso." Ele afirmou que "não há nada de concreto" nas denúncias veiculadas contra a cúpula da área e se pôs a disposição para ajudar numa "transição" no órgão.

Casas. Sobre a construção de casas em Canoas, Caron negou qualquer irregularidade e disse que a medida foi tomada para atender a obrigações previstas na licença da obra da rodovia BR-448. Afirmou que optou por realizar um convênio com a prefeitura para reduzir o preço da remoção de famílias que moram na chamada Vila do Dique. Chegou ainda a chamar de "altruísta" o prefeito Jairo Jorge por ceder o terreno para as casas.

"Para que não pairasse nenhuma dúvida, nós consultamos formalmente o Ministério do Planejamento, que é o ministério responsável pela execução orçamentária de todo o governo", argumentou em entrevista à Rádio Gaúcha.

Caron tentou dar a sua saída a interpretação de dever cumprido. Afirmou que escolheu pedir demissão ontem porque concluiu na quinta, com a equipe do Ministério dos Transportes, uma redução no orçamento de obras do Dnit no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A proposta entregue a Dilma prevê reduzir de cerca de R$ 72 bilhões para algo "entre R$ 58 e R$ 60 bilhões" o orçamento das obras do órgão no PAC. / COLABOROU ELDER OGLIARI

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