Carona com motorista alcoolizado mantida

Hábito foi declarado por 43% de jovens em SP e 37% no Rio em pesquisa

Felipe Werneck e Clarissa Thome, O Estadao de S.Paulo

09 Julho 2009 | 00h00

Apesar de a maioria (84%) apoiar a lei seca, muitos ainda pegam carona com motoristas que beberam, indica pesquisa feita em maio com 1.033 universitários do Rio e de São Paulo. Segundo o estudo, encomendado pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT), o hábito foi declarado por 43% dos entrevistados em São Paulo e, no Rio, por 37%. O coordenador do Departamento de Trauma da Organização Mundial da Saúde (OMS) é o ortopedista brasileiro Marcos Musafir, que está no Rio para participar do Fórum Nacional de Trânsito, Bebida e Direção, que será realizado hoje pela SBOT. Ele avalia que o País está dando um exemplo educativo com campanhas como a da lei seca, mas afirma que essa tarefa deve ser diária. Para Marcos, a pesquisa é importante por mostrar a percepção de jovens considerados formadores de opinião, que em geral costumam usar carros e ter dinheiro para sair à noite. Mas ele destaca a questão do transporte público muitas vezes ineficiente como uma agravante. Bernardo Antunes, de 21 anos, aluno de Comunicação da PUC do Rio, conta que parou de sair de carro para beber há dois anos, quando sofreu um acidente em Salvador. Na ocasião, estava dirigindo e havia bebido. "Vou de táxi ou de ônibus. Mas se um amigo não tiver bebido muito, se o cara estiver tranquilo, vou junto", declarou. Para o sociólogo Benitz Calvo, que coordenou a pesquisa, "o jovem assume uma atitude irresponsável ao transferir a responsabilidade". "Parecem perceber o problema ao assumir a direção, mas pensar: ?para mim, o joão sempre bebe menos?." O coordenador da OMS ressalta outro ponto do estudo que indica o aumento do número de universitários que declararam ter saído de casa e voltado dirigindo sem beber após uma noitada. O porcentual era de 36% em 2007, manteve-se em 37% em 2008 e chegou a 50% neste ano. "Estão compreendendo que a lei não é só um ato punitivo, mas de proteção." Na pesquisa, o porcentual de universitários que declararam nunca ter assumido a direção após beber foi maior no Rio (54%) do que em São Paulo (35%). Os que responderam ter voltado para casa dirigindo "mesmo bebendo pouco" foram 11% no Rio e 27% em São Paulo. COMPARAÇÃO Das 1.033 entrevistas, 711 foram feitas no Rio e 322 em São Paulo. O sociólogo que coordenou o trabalho afirma que a diferença não impede a comparação. Segundo ele, a margem de erro é de 3% a 4% no Rio e de 4% a 5% em SP. Foram ouvidos estudantes em sete universidades públicas e privadas do Rio e em seis de São Paulo. RESULTADOS É a favor da lei seca? Rio, 83%; São Paulo, 87% Admite andar de carona com motorista que tenha bebido Rio, 37%; São Paulo: 43% Nunca dirige nem dirigiu após ter bebido Rio, 54%; São Paulo, 35% Frequência que pega carona com motorista que tenha bebido No Rio: sempre, 8%; muitas vezes, 21%; raramente, 71% Em São Paulo: sempre, 7%; muitas vezes, 39%; raramente 54%

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