Carona de atropelador de Mascarenhas diz que PM ignorou acidente

Policiais teriam ordenado que jovem seguisse à delegacia mesmo com indícios de atropelamento

Pedro da Rocha, da Central de Notícias,

28 Setembro 2010 | 23h00

SÃO PAULO-  O carona do carro dirigido por Rafael Bussamra, atropelador do músico Rafael Mascarenhas - filho da atriz Cissa Guimarães - disse nesta terça-feira, 28, em seu testemunho à Justiça Militar do Rio de Janeiro, que os PMs acusados de cobrarem propina para liberarem o carro do acidente após o ocorrido ignoraram a informação dada por Rafael de que ele teria atropelado uma pessoa.

 

De acordo com o depoimento de André Liberal Alves de Almeida, os policiais militares Marcelo José Leal Martins e Marcelo de Souza Bigon, mesmo com o carro amassado no capô e com o vidro trincado no lado do motorista, teriam ordenado que ele os seguisse até a delegacia.

 

André foi o primeiro de quatro testemunhas ouvidas pela juíza Ana Paula Monte Figueiredo Pena Barros, durante audiência realizada na Auditoria da Justiça Militar do Rio. Na sessão, que durou cerca de duas horas, também prestaram depoimento o mecânico Walter Antônio da Fonseca Filho, dono da oficina para onde o pai de Rafael, Roberto Bussamra, levou o carro para consertar; e dois policiais militares que teriam participado da ocorrência, após o atropelamento do músico.

 

Segundo André, logo após o atropelamento, Rafael parou o carro mais adiante e, pelo buraco do Túnel Acústico, na Gávea, onde ocorreu o atropelamento, ele voltou sozinho ao local onde a vítima estava. Antes, porém, André teria dito para Rafael Bussamra ligar para a polícia e para o Corpo de Bombeiros, a fim de que uma ambulância fosse providenciada. Chegando ao local do atropelamento, um morador de rua teria sugerido que ele levasse Rafael Mascarenhas para um hospital, mas ele disse que seu amigo Rafael já havia chamado uma ambulância.

 

Quando retornou, Rafael já estava sendo revistado pelos PMs Martins e Bigon. Segundo a testemunha, os PMs, mesmo sendo informados do atropelamento, apenas checaram se eles haviam consumido bebida alcoólica ou drogas. No caminho para a delegacia, os policiais pararam no posto de gasolina do Jockey e mandaram Rafael e André entrarem na viatura policial. De lá, seguiram para uma rua deserta, onde Rafael ficou conversando com os PMs até a chegada do seu pai, Roberto Bussamra.

 

Já o mecânico Walter disse que foi procurado pelo pai e irmão de Rafael Bussamra, respectivamente, Roberto e Guilherme Bussamra, na manhã do dia 20 de julho. Segundo ele, Roberto Bussamra pediu que ele fizesse um orçamento no carro, pois seu filho havia se envolvido em um acidente. Em seguida, o pai de Rafael teria saído para comprar as peças do carro.

 

Também arrolado como testemunha pela defesa dos policiais, Guilherme Bussamra não compareceu para prestar depoimento. Segundo os autos, Guilherme estaria residindo em São Paulo e, por isso, não foi intimado no endereço indicado no processo. Como a defesa não abriu mão do seu depoimento, a juíza Ana determinou que os advogados dos PMs apresentem, em cinco dias, o novo endereço de Guilherme para que seja enviado à notificação.

 

 

 

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