Carrefour afasta gerente de Osasco

Januário Santana foi espancado na unidade, acusado de roubar próprio carro; segurança também foi trocada

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

21 Agosto 2009 | 00h00

Após a denúncia de agressão por racismo, revelada anteontem pelo Estado, a rede de supermercados Carrefour decidiu afastar a empresa Nacional de Segurança Ltda., que prestava serviços em algumas lojas de São Paulo. A rede também afastou o gerente da loja de Osasco, na Grande São Paulo, onde o vigia e técnico em eletrônica Januário Alves de Santana, de 39 anos, foi confundido com um ladrão, suspeito de roubar seu próprio carro, um EcoSport, e agredido pelos seguranças. Santana registrou boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial de Osasco. Na próxima semana, ele vai prestar depoimento no 9º DP, onde o inquérito está tramitando. Seu advogado, Dojival Vieira, vai entrar com uma ação de indenização por danos morais contra o Carrefour e contra o Estado. "Queremos que os cinco seguranças e os três policiais sejam identificados e responsabilizados. Esses casos de racismo não podem mais acontecer num País onde a metade da população é negra ou parda." Enquanto sua família fazia compras na loja, Santana, foi levado por cinco seguranças do supermercado até um quartinho, onde foi espancado por cerca de 20 minutos. "Fui humilhado e acusado como se fosse um criminoso. Quando eu dizia que o EcoSport era meu, eles riam e me batiam ainda mais. Pensei que fosse morrer", conta. Os seguranças não vestiam uniformes nem usavam crachás. "Eles eram morenos, um pouco mais claros do que eu, mas não eram brancos. Quando eu tentava me explicar, um deles disse ?se você não calar a boca, neguinho, vou acabar com você?."Quando os policiais militares chegaram ao local, eles também não acreditaram que Santana fosse dono do automóvel. "Eles riam e diziam ?sua cara não nega, negão. Você deve ter, pelo menos, três passagens pela polícia?." Depois de insistir muito, eles foram até o automóvel, onde sua família o esperava. Após conferir documentos, os PMs foram embora. Santana espera que o caso possa servir de exemplo para outras pessoas que sofrem racismo. "Já ouvi piadas, comentários e ameaças, mas nunca tinha apanhado por ser negro. Decidi denunciar porque sofri uma grande injustiça", diz. "Na cabeça de algumas pessoas, só quem é branco e doutor pode ter um carro desses. Eu sou trabalhador. Trabalho dia e noite em dois empregos e com muito esforço estou pagando as prestações."

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