Carreira é curta e destrói vida e aparência

ONG observa que vários fatores, de desemprego a violência, levam às ruas

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

27 Julho 2009 | 00h00

Ainda que a participação no tráfico apareça como nova opção de cargo para as meninas com menos de 14 anos, a carreira é curta e cruel. Como quem vende também usa, o tempo de trabalho é tão efêmero quanto a beleza de quem costuma acender o cachimbo. Maltratadas pela rua, pelo frio, pela fome e pela rotina de usar e abusar das pedras, quando a aparência não ajuda mais elas são dispensadas pelos chefes do negócio e passam a fazer parte só do exército de usuárias. "Por isso, durante as brigas, elas se atacam no rosto. A beleza é condenada, agride", diz Jorge Ferreira Moreira, que há 25 anos trabalha com pessoas em situação de rua que são dependentes químicos. Jorge é uma das pessoas que faz o trabalho de campo na ONG É de Lei. A entidade, além de levar informações sobre redução de danos aos usuários de drogas, fala de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), tuberculose e dos efeitos dos entorpecentes. Também oferece um espaço de convivência para os viciados, onde eles recebem informações sobre problemas jurídicos, de ensino e até psicológicos. A demanda no centro de convivência é espontânea. Só vai até a sede quem entende que precisa de uma ajuda mais específica. E os motivos que chegam até os responsáveis pela entidade ajudam a explicar também porque as meninas estão cada vez mais presentes na cracolândia: falta de oportunidade de emprego, violência doméstica, abuso, documentos irregulares, diplomas que não saíram e impediram o ofício; situações que são ainda mais presentes no universo feminino. SOLUÇÃO Para Thiago Calil, coordenador de projetos do É de Lei, esses são aspectos dos usuários de drogas cuja solução nem é cogitada, tanto por iniciativas do poder público quanto por ações das entidades particulares. "Seja porque enxergam nos moradores de rua e usuários de droga um poço sem salvação, que deve ficar de escanteio, seja pelo outro extremo, porque avaliam todos como coitadinhos, injustiçados e que só merecem piedade." FRASES Jorge Ferreira Moreira, ONG É de Lei "Durante as brigas, elas se atacam no rosto. A beleza é condenada, agride" Thiago Calil Coordenador de projetos do É de Lei, ao comentar porque não há opções pública nem privadas "Seja porque enxergam nos moradores de rua e usuários de droga um poço sem salvação, que deve ficar de escanteio, seja pelo outro extremo, porque avaliam todos como coitadinhos, injustiçados e que só merecem piedade"

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