Carro alegórico sobre nazismo gera protestos contra Viradouro

Judeus do Centro Wiesenthal alegam que escola carioca está profanando memória do genocídio

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

30 de janeiro de 2008 | 11h50

A sede do Centro Wiesenthal na América Latina, em Buenos Aires, criticou a escola de samba carioca Viradouro por planejar a inclusão de um carro alegórico com representações de esqueletos humanos que remetem ao Holocausto judeu durante o Terceiro Reich. O Centro Wiesenthal pediu que a escola evite uma profanação da memória do genocídio. Em carta enviada ao presidente executivo da Viradouro, Marco Lira, o diretor de Relações Internacionais do Centro Wiesenthal, Shimon Samuels, e o representante do Centro na América Latina, Sergio Widder, ressaltaram que "mais do que um alerta a favor da consciência sobre o horror, a realização de um desfile com música, mulheres e homens seminus dançando alegremente, além do lógico ambiente festivo associado ao Carnaval, é absolutamente inapropriado relacionar tal evento com a lembrança das vítimas do Holocausto. É um espetáculo abominável para os sobreviventes e suas famílias". No comunicado, o Centro Wiesenthal recorda que há poucos dias o Rio de Janeiro foi a sede brasileira da comemoração do Dia Internacional do Holocausto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Sérgio Cabral, entre outras personalidades. "É incareditável que, poucas horas depois de uma homenagem realizada com respeito à memória das vítimas do Holocausto, essa mesma cidade se transformará em um cenário para um espetáculo que anula seu significado e que opaca o carnaval para turistas e cariocas", disse Samuels. Segundo Widder, "manter tal quadro, fará com que a Viradouro não mereça o prêmio do carnaval do Rio de Janeiro, mas sim, os aplausos dos extremistas que negam e relativizam o Holocausto". Nos últimos anos, o governo do Irã aplicou uma política de rejeitar a existência do genocídio realizado pelo Führer Adolf Hitler contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Diversos grupos fundamentalistas muçulmanos, além de neo-nazistas seguem a mesma linha de negar a existência do Holocausto. O Centro Wiesenthal ofereceu sua experiência para assessorar o governo do Rio sobre conteúdos sobre o Holocausto nos programas educativos das escolas da rede pública. O Centro é uma organização judaica internacional de defesa dos Direitos Humanos. Ela foi criada pelo famoso "caçador de nazistas" Simon Wiesenthal, um sobrevivente dos campos de concentração. Durante a Segunda Guerra Mundial, o regime nazista torturou e assassinou mais de 6 milhões de judeus nos campos de concentração.

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