Carro de ex-deputado do PR era roubado

Arlindo Troian se envolveu em acidente com dois mortos no dia 3

Evandro Fadel, O Estadao de S.Paulo

10 Julho 2009 | 00h00

A Saveiro dirigida pelo ex-deputado estadual do Paraná e ex-prefeito de Nova Londrina, no noroeste do Estado, Arlindo Adelino Troian (PMDB), de 72 anos, que se envolveu em acidente no dia 3, resultando em dois mortos, era roubada e estava com a numeração do chassi adulterada. A comprovação foi feita pela polícia de Paranavaí, que apura a ocorrência registrada em um dos trevos de acesso à cidade. O ex-deputado já foi indiciado por duplo homicídio culposo.O delegado Ítalo César Sêga, que preside o inquérito, está investigando possível omissão de socorro. O ex-deputado teria fugido do local e somente se apresentou à polícia na quinta-feira. Seu envolvimento foi descoberto porque esqueceu um telefone celular e notas fiscais dentro do carro abandonado. A Saveiro bateu contra uma camionete que capotou. Os dois ocupantes que não usavam cinto de segurança foram arremessados para fora do veículo e morreram. O outro teve apenas ferimentos sem gravidade. O delegado ouviu ontem os policiais que atenderam a ocorrência e também deve chamar os socorristas e testemunhas do acidente.Segundo Sêga, a polícia descobriu que o carro foi roubado em agosto do ano passado em Marialva, na mesma região. "Foi adulterado o chassi e feita uma documentação fria. Foi clonado outro veículo em Maringá", acentuou. "Ele (Troian) alega que comprou de uma pessoa em Maringá, cujo nome não se lembra." O delegado acentuou que aguarda os documentos que comprovem a versão do ex-deputado. "Senão há a possibilidade de indiciamento também pelo crime de receptação e, eventualmente, por adulteração de chassi", afirmou.O advogado Rogério Carboni, um dos que defendem Troian, disse que ele ficou por cerca de oito a dez minutos no local do acidente, quando começaram a chegar as ambulâncias para prestar socorro às vítimas. "Isso o tranquilizou e ele foi para a casa, porque ficou abalado", disse o advogado. Segundo Carboni, o ex-deputado comprou o carro em fevereiro deste ano, sem saber que se tratava de veículo roubado. Carboni afirmou que o carro tem licenciamento provisório expedido pelo Departamento de Trânsito (Detran), o que comprovaria que nem mesmo os órgãos de trânsito tinham conhecimento sobre irregularidades. "Ele comprou, pagou e vai comprovar quando for instado a fazê-lo", ressaltou Carboni. Uma das estratégias da defesa é tentar provar que o veículo atingido pelo ex-deputado desenvolvia velocidade superior aos 60 quilômetros por hora permitidos naquele local.

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