Carro tem trava antibêbado nos EUA

Autoridades discutem se equipamentos para condenados por dirigir embriagados devem ser estendidos a todos

Tim Moran, THE NEW YORK TIMES, O Estadao de S.Paulo

28 Outubro 2007 | 00h00

Na maioria dos Estados americanos, alguns motoristas já condenados por dirigir embriagados só podem dar a partida em seus carros depois de assoprar num bafômetro que desliga o veículo quando detecta a presença de álcool. Essas travas são um pouco desajeitadas e bastante invasivas. Mas os defensores do método dizem que, com melhorias na tecnologia - a ponto de com um simples toque no volante revelar a concentração de álcool no sangue do motorista -, todos os carros, e não só os que pertencem a condenados por dirigir embriagados, poderão ganhar travas. A idéia é que, se os obstáculos de tecnologia e privacidade forem superados - o que ainda pode levar anos ou mesmo décadas -, as travas podem salvar milhares de vidas por ano. "É melhor impedir alguém de violar a lei - e possivelmente matar ou ferir outra pessoa - do que prendê-lo depois do fato e tentar impedi-lo de fazer isso de novo", afirma a vice-presidente de pesquisa do Instituto Insurance de Segurança Rodoviária, Anne McCartt. O instituto estima que 9 mil vidas poderiam ser salvas se os motoristas com concentração de álcool no sangue de 0,08 g/dl ou mais fossem impedidos de dirigir. A Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviária considera que 40% das mortes no trânsito são relacionadas ao álcool. Segundo os dados da agência, mais de 17.500 pessoas morreram nos Estados Unidos em 2006 , por causa de acidentes envolvendo álcool - 13.470 delas em ocorrências nas quais pelo menos um motorista ou motociclista estava acima do limite legal de 0,08 g/dl. O saldo levou o grupo Mães contra a Direção Embriagada (MADD, na sigla em inglês) a pressionar pela ampliação do uso de travas em veículos. Pediu-se aos tribunais que imponham aparelhos aos motoristas embriagados sem antecedentes - e não só aos reincidentes. O Estado do Novo México, um dos líderes da campanha, determinou recentemente que os violadores sem antecedentes recebessem as travas. Louisiana e Illinois também adotaram leis mais severas sobre o uso dos aparelhos, informou Kathryn Heineman, diretora do MADD em St. Louis. Barry Steinhardt, da União Americana de Liberdades Civis, não se opõe às travas como alternativa a penas de prisão para os motoristas condenados por dirigir embriagados. Mas afirmou que a instalação dos aparelhos em todos os carros poderia ser um problema. "Quem será impedido de dirigir e por quê?" Sarah Longwell, diretora do Instituto Americano de Bebidas, associação de Washington que representa proprietários de bares e restaurantes, argumentou que não é ilegal beber moderadamente e voltar para casa dirigindo, mas esse direito poderá desaparecer se travas muito sensíveis forem exigidas em todos os carros. "Trata-se de adotar passos graduais para tornar esse equipamento obrigatório em todos os automóveis", afirma ela. "Isso eliminará o direito das pessoas de beber com moderação e de ter responsabilidade antes de dirigir." As travas, fabricadas por sete grandes companhias, consistem num bafômetro conectado ao carro e a um sistema de coleta de dados. Os motoristas obrigados a usar o aparelho pagam cerca de US$ 125 pela instalação e a taxa mensal de uso e manutenção varia de US$ 60 a US$ 75.

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