Carros e ônibus queimados em protesto que fechou Heliópolis

Manifestação violenta foi motivada por causa da morte de uma estudante, durante tiroteio na madrugada

, O Estadao de S.Paulo

02 de setembro de 2009 | 00h00

A morte de uma estudante de 17 anos, atingida por um tiro numa ação policial, provocou uma onda de protestos em Heliópolis, na zona sul de São Paulo. Moradores fecharam acessos da favela ontem à noite, queimaram quatro ônibus e três carros e apedrejaram outros dois coletivos. Por três horas, houve confronto com a Polícia Militar, que utilizou bombas de efeito moral. Os manifestantes reagiram com pedras e fogo. Houve ainda tentativa de invasão na 1ª Companhia do 46º Batalhão da PM, que fica no meio da favela. Pelo menos dois policiais ficaram feridos. Não havia informações sobre vítimas civis. Horas antes, durante a madrugada, em outro protesto, pneus e entulho foram queimados.O protesto começou às 18 horas, quando manifestantes colocaram fogo em dois carros. Segundo a PM, os moradores haviam feito uma convocação para que a manifestação fosse realizada em horário do noticiário da TV. Cerca de 40 minutos depois, a Tropa de Choque chegou. Os manifestantes não se intimidaram e passaram a ocupar trechos da favela, entrando em confronto com as forças de segurança. Um jovem que disse ser da organização do protesto afirmou que "a ordem é receber esses PMs com muita pedra". Em um desses conflitos, os manifestantes queimaram um Fiat Uno. "Veio um grupo e ateou o fogo e virou o carro", afirmou uma moradora.Na Estrada das Lágrimas, manifestantes pararam um ônibus intermunicipal, obrigaram passageiros a descer e apedrejaram o coletivo. Em outro ponto da favela, na Avenida Delamare, assumiram a direção de outro coletivo. "Eles gritavam que iriam colocar fogo. Foi quando vi as chamas", disse Josefa Santana, de 71 anos. Enquanto o confronto acontecia, outro grupo parou um ônibus intermunicipal na frente do Santuário de Santa Edwiges, nas Estrada das Lágrimas. Os passageiros desceram e o veículo também acabou apedrejado. Havia crianças assustadas e pais aflitos andando pelas imediações. "Minha filha já tinha de estar em casa há uma hora", chorava uma mãe.Mas o momento mais tenso da manifestação foi a tentativa de invasão da 1ª Companhia do 46º Batalhão da PM, ao lado do 95º DP, por volta das 19h40. Um grupo com cerca de 40 pessoas avançou em direção à companhia, atirando pedras nos policiais. Moradores dos prédios da Rua Freire Braymer, vizinhos ao batalhão, tiveram de correr para tirar os carros da rua. Quando os manifestantes estavam a cerca de 300 metros de distância, oito PMs usaram armas de munição convencional e atiraram para o alto. O grupo correu em direção à Avenida Almirante Delamare e só foi contido após o deslocamento da tropa de choque. Por volta das 21 horas, o protesto já estava controlado, focos de incêndios eram apagados e a PM fazia patrulhas na região. Havia a possibilidade de a corporação iniciar uma operação de longa duração na favela.MADRUGADADe madrugada, os moradores fizeram barricadas com madeira e pneus incendiados ao longo da Rua Cônego Xavier. Aos gritos de "assassinos", os manifestantes jogaram pedras em um carro e em policiais civis e militares que estavam no local. Na confusão, um cinegrafista de uma emissora de TV ficou ferido por uma pedra. Vinte minutos depois, agentes do Grupo de Operações Especiais (GOE) e do Grupo de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra), auxiliados por PMs, usaram bombas de efeito moral e tiros de borracha para dispersar os manifestantes. Dois manifestantes foram atingidos. JOSÉ DACAUAZILIQUÁ,CAMILLA HADDAD, DANIELA DO CANTO e MARICI CAPITELLIHISTÓRICO 8 de julho: Tainá Alves, de 8 anos, foi atingida no peito, em Heliópolis, durante operação da PM. A garota sobreviveu 12 de julho: Luana de Souza, de 16 anos, e seu bebê, de 8 meses, foram atingidos em Paraisópolis. Os dois sobreviveram 21 de julho: Ednalva da Silva, de 30 anos, e o filho dela, de 1, foram baleados no Capão Redondo. Dois investigadores teriam dado sinal de parada a um motoqueiro. Um atirou e acertou a perna do bebê e o coração de Ednalva. Ela morreu 27 de agosto: Tiroteio entre PMs e três supostos assaltantes deixou um menino de 11 anos ferido, em Cangaíba, zona leste

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