Carros ''envelopados'' se espalham pela cidade

Para publicidade em veículo, não há restrição de tamanho

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

24 Agosto 2008 | 00h00

Vem da ponta do lápis a alegria do empresário Fabricio Perez. Quando a Lei Cidade Limpa entrou em vigor na capital paulista, em setembro de 2006, sua empresa de adesivação de automóveis, no bairro da Saúde, fazia cerca de 45 trabalhos por mês. Hoje, são 60. De lá para cá, o número de funcionários aumentou 30% e o faturamento, 18%. "A nova legislação proibiu a adesivação publicitária, mas muitas empresas começaram a estampar o logotipo em toda a frota", diz Perez. Sim, essa artimanha vem sendo largamente utilizada. "Para anúncios indicativos em veículos, não há restrição de tamanho", afirma a arquiteta e urbanista Regina Monteiro, diretora da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb) e coordenadora da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU). Ou seja: qualquer estabelecimento pode estampar o nome em seus carros, em letras garrafais e cores berrantes, que isso não configura propaganda. E é nisso que se apóiam, para sobreviver, as empresas de adesivação. "O que mais tenho feito são frotas", confirma Arthur Pellicciari Neto, dono de uma empresa do gênero. Personalizar - ou "envelopar", como se diz - um carro não sai por menos de R$ 1,2 mil e consome de um a dois dias de trabalho. Antes visíveis em dezenas de outdoors da cidade, desde o ano passado beldades em trajes mínimos podem ser apreciadas em um ônibus que circula levando funcionários de uma marca de lingeries. "Gastamos mais de R$ 8 mil para personalizar o veículo", revela a diretora de Marketing da Hope, Sandra Chayo. Ela, aliás, concorda que a Lei Cidade Limpa deixou São Paulo mais bonita. "Só sinto porque nossos painéis eram um marco na cidade", acredita. Isso pode, segundo a CPPU. O problema é quando não se trata de um meio de transporte da empresa, mas sim está atrelado simplesmente a uma promoção ou serve só como divulgação. É o caso de uma lanchonete da cidade que desde quinta mantém um simpático fusquinha 68 - todo adesivado, claro! - circulando pelas ruas da capital. Se for flagrado, isso pode render multa de R$ 10 mil aos donos do estabelecimento. Mas a arquiteta e urbanista Regina admite que é bem mais complicado fiscalizar veículos. "Acredito que ainda não tenha acontecido nenhuma multa. Apenas advertências", afirma. A Secretaria Municipal das Subprefeituras não detalha se alguma das 2.705 penalidades aplicadas desde que a lei entrou em vigor puniu proprietários de carros envelopados. Especializada em anúncios em táxis, a empresa onde o diretor de Marketing Daniel Duarte Savério trabalha perdeu 80% de seu faturamento de 2006 para cá. "Restaram as outras cidades nas quais já atuávamos", diz. Anteriormente, um taxista embolsava de R$ 80 a R$ 150 por mês com a propaganda no carro. O preço variava conforme a área de circulação. "Os que são de pontos nos aeroportos ou próximos do Shopping Iguatemi, por exemplo, eram mais valorizados", explica Savério. Agora, sua empresa tem desenvolvido material para ser divulgado internamente nos carros. Alguns já trazem displays com folhetos de propaganda. NOS TRILHOS A Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que chegou a envelopar vagões, aboliu de vez a propaganda exterior, para não desrespeitar a legislação. O Metrô, por sua vez, arrecadou R$ 2,3 bilhões no ano passado com anúncios em seus trens. Atualmente, 78 vagões estão envelopados. Mesmo percorrendo trechos na superfície - nos quais a propaganda pode ser vista da rua - não se trata de um desafio à legislação. "Antes de colocar qualquer publicidade, a companhia submete à aprovação da CPPU", conta Regina.

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