Carros têm 1 pane seca a cada 7 min

Em média, 230 veículos param por dia nas rodovias paulistas, por falta de combustível; multa é de R$ 85

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

01 de maio de 2008 | 00h00

A "síndrome do ponteiro mentiroso" tem atingido muitos nas rodovias do Estado de São Paulo. Motoristas se convencem de que o mostrador está errado e crêem que as últimas gotas de combustível vão levá-los até um posto. Em média, 230 veículos param por dia nas rodovias paulistas por falta de combustível. Ou seja: um a cada sete minutos. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) e a Agência Reguladora de Transporte de São Paulo (Artesp), no ano passado, foram atendidos 83.971 veículos, vítimas da "pane seca". Nas rodovias administradas por concessionárias, esse problema é responsável por 11% dos atendimentos, ao longo de 3,5 mil quilômetros de vias. "É inadmissível que um motorista não planeje a quantidade de combustível que vai usar", diz o tenente da Polícia Rodoviária Estadual Cláudio Rogério Ceolone. Além de ser um transtorno, ficar sem combustível numa rodovia é arriscado e passível de autuação. A pane seca é considerada pelo Código de Trânsito Brasileiro uma infração média, com multa de R$ 85,13 e pena de 4 pontos na carteira. Ceolone alerta que a distância entre postos pode muitas vezes ultrapassar os 50 quilômetros. Gestor de atendimento da AutoBan, Odair Tafarelo está acostumado a deslocar guinchos e viaturas para socorrer motoristas que deixaram o tanque do carro secar. "Todo mundo diz que o ponteiro está marcando errado, mas a experiência nos mostra que o ponteirinho está lá no final e a pessoa não perde a esperança." Responsável pelo Sistema Anhangüera-Bandeirantes, a empresa registrou 3.113 ocorrências no primeiro trimestre deste ano. "Esse pessoal acaba atrapalhando a gente, porque perdemos agilidade para fazer outros atendimentos." No caso de pane seca, a concessionária desloca o veículo para um local seguro; encontrar gasolina é responsabilidade do motorista, que pode fazê-lo pessoalmente ou ligar para a seguradora. Se antes da remoção o veículo for flagrado por policiais, é multa na certa. As ocorrências são tão freqüentes no Sistema Castello-Raposo que a Viaoeste iniciou uma campanha de conscientização. O trecho da Castello que vai do km 13 (Osasco) ao km 32 (Itapevi) é o recordista em veículos parados por falta de combustível. De janeiro a março, foram 1.104 ocorrências. Segundo o engenheiro mecânico Rubens Venosa, a maioria dos casos de pane seca é resultado de descuido. Mas combustível irregular pode ser outro fator. "Adulteração significa consumo elevado, sempre. Quem faz 10 quilômetros por litro com um combustível bom pode chegar a uns 6 por litro com um ruim." O problema do ponteiro, segundo ele, pode ser evitado com um teste rápido sempre que se enche o tanque. Olhando atentamente o mostrador, o motorista saberá se ele está com defeito.PROBLEMAS MECÂNICOSApesar de ser o tipo de pane que mais deixa os especialistas perplexos, por ser evitável, a falta de combustível não é a recordista de atendimentos nas rodovias paulistas. Esse posto cabe à pane mecânica.Nas rodovias concedidas, ela representa 59% das ocorrências. A causa mais freqüente é a quebra da correia dentada. Para evitar um inconveniente como esse no meio da viagem, é aconselhável fazer uma boa revisão no carro antes de pegar a estrada. Resolver um problema desse tipo pode custar ao motorista até três dias de dores de cabeça.As panes elétricas, também evitadas com revisão, correspondem a 7% dos atendimentos; a troca de pneus furados, a 13%. Nesse caso, além de contar com a sorte, o dono do veículo deve manter os pneus sempre em bom estado.

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