Cartas

Carta 19.351Joana, uma cidadã exemplarJoana trabalha como empregada doméstica e tem uma história de vida difícil. Cria três filhos sozinha, viaja duas horas num ônibus apertado para chegar ao trabalho. Mora numa favela da zona sul, perto de um córrego onde os vizinhos jogam toda espécie de lixo, de latinhas de cerveja a sofás. Ela não se conforma com a situação: tira xerox de instruções de como reciclar lixo, de como cuidar da água, e sai distribuindo aos moradores, tentando ?fazer a cabeça? dos que, como diz, ?não estão nem aí com o planeta?. Ensina a quem pode como fazer sabão com óleo de cozinha usado e diariamente sobe no ônibus com duas sacolas de lixo reciclável, que lava cuidadosamente para depositar no contêiner do prédio onde moro. Joana não teve instrução, mas tem cultura nata e cumplicidade tocante com tudo que se refere às questões ambientais. Gostaria que, lá onde mora, crianças e adultos pudessem receber essas instruções vitais. Enquanto as autoridades não o fazem, ela cumpre o seu trabalho missionário de formiga, faz a sua parte - como poucos já vi fazer. É uma zeladora anônima e vocacionada do mundo, cuida por amor, com entrega e gratuidade. Joana é uma das milhares de mulheres guerreiras que enfrentam enchentes e filas no hospitais públicos, que trabalham sem tempo para lazer dia após dia, todos os dias do ano. Com ela temos de aprender o básico, o essencial, a ação responsável e engajada, a esperança de que todos acordem e que o mundo possa ser melhor. Joana Luiz de Lima mora no Jardim Vaz de Lima, no Campo Limpo.CECILIA BORELLICapitalCarta 19.352Dois apelos atendidosEscrevo em nome de Maria Aparecida de Lima, 26 anos, que mora em Jaçanã. Ela é mãe de Felipe Wilkson de Lima Rodrigues, de 7 anos, deficiente físico. Ela mora de aluguel e trabalha numa escola onde recebe salário mínimo. Para completar a renda, faz faxina aos sábados e domingos. Maria conseguiu uma bolsa de estudos para o filho, a quem leva de ônibus todos os dias pela manhã até a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). Ela inscreveu Felipe no Atende em 28/3, mas dizem que não há vagas. O serviço é uma modalidade de transporte porta a porta, gratuito, oferecido pela Prefeitura aos portadores de deficiência física com alto grau de severidade e dependência, impossibilitados de utilizar outros meios de transporte. Quem sabe o Estadão intercede por uma vaga para ele? Maria pesa 50 kg e Felipe pesa 30. Ela ela tem de caminhar 1,5 km com ele no colo e já está com problemas na coluna. Meus filhos estudam na mesma escola e gostam muito do Felipe.CLÁUDIA REGINA AFONSOCapitalA SPTrans responde:"A criança foi inscrita em 2/4, com programação de viagens para a AACD Central às 2.ªs e 5.ªs, sendo que em setembro tentamos confirmar as informações para fazer o encaixe das viagens pelo telefone informado, sem conseguir. Somente pelo n.º informado ao jornal a situação foi esclarecida, inclusive com o roteiro de Felipe, que passou a ser atendido em 19/11." Arthur Ferreira da Costa Silva teve paralisia cerebral ainda bebê, e passou a fazer terapia com acompanhamento médico de várias especialidades. Hoje (19/11) ele está com 4 anos; há 2 anos faz terapia na AACD e já fez muito progresso, mas está a cada dia mais difícil levá-lo para a AACD. Quando chove, não é possível levar a cadeira de rodas. Arthur mora na zona norte e tem de ir até a zona sul no mínimo três vezes por semana. A família não tem carro e não recebe nenhum benefício do governo. Sua mãe, Meirinaide F. C. Silva, não pode trabalhar porque tem de cuidar dele em tempo integral. Seu pai trabalha, mas o salário não é suficiente (R$ 680). Eles moram de aluguel e a alimentação de Arthur é especial, porque ele tem problemas para se alimentar (o custo mensal dos alimentos é R$ 300). Ele toma um leite especial que custa de R$ 30 a 40, e precisa de 4 a 5 latas por mês. Arthur, que é bolsista, estuda na mesma escola que Felipe, que foi inscrito no Atende em 8/2/06, mas nunca foi chamado. CLAÚDIA REGINA AFONSOA SPTrans responde:"A criança está cadastrada desde fev/2006. Em agosto, sua mãe pediu três viagens por semana para a AACD da Av. Prof. Ascendino Reis, Ibirapuera. Em outubro, começamos a atender a demanda de forma parcial, às 6.ªs feiras. A partir do dia 12 deste mês (resposta do dia 3) atenderemos Arthur também às 4.ªs feiras; e, a partir do dia 20, d. Meirinaide poderá levar o filho à AACD todos os dias que forem necessários para o seu atendimento."

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