Cartas

Carta 19.353Agradecer faz bem à almaVolta e meia vejo na tevê a cabo uma mensagem que busca despertar a solidariedade, os bons gestos e a cortesia. Ela mostra um senhor de uns 60 anos, debaixo de uma chuva forte, esperando por um táxi (o que em dia de chuva não é fácil). Ele protege a cabeça com um jornal dobrado e espera, todo molhado. Quando o táxi vem e pára, ele vai abrir a porta para entrar quando vê, ao lado, uma mulher com uma menina. E ele não embarca, cede o carro para a senhora e a criança, enquanto uma voz em off enfatiza o valor da solidariedade. Muito bonito - mas é preciso que a pessoa agraciada com um gesto de cortesia por parte de um estranho agradeça a gentileza, dê um sorriso, enfim: demonstre que está agradecida. Mas qual... o que mais se vê nas ruas, ônibus, teatros, bancos e escolas, é gente grossa, incapaz de agradecer uma gentileza. Os mais velhos são os piores: parece que quem lhes faz uma gentileza não faz mais que a obrigação. Errado! Ninguém tem obrigação de segurar a porta do elevador ou da loja.LUIZ CARLOS PRATES Sou portadora de deficiência física e obtive a minha Carteira Nacional de Habilitação há pouco tempo, mas venho observando o total desrespeito às vagas destinadas aos portadores de necessidades especiais. Nem existe legislação sobre o assunto! É preciso mobilizar a sociedade civil, imprensa, representantes do Legislativo, Judiciário e entidades de promoção dos direitos dos portadores de necessidades especiais para que as normas já existentes sejam efetivamente aplicadas.FERNANDA SOUZA SANTOSTaboão da Serra/SPCarta 19.354Necessidades especiaisSou deficiente físico, sofro de uma paralisia cerebral que afetou a coordenação motora. Por causa disso, tenho dificuldade em me alimentar com minhas próprias mãos - mas na área da informática, modéstia à parte, sei de tudo e me viro bem. Já fiz testes em empresas como Itaú, Santander e IBM, onde todos me garantiram que o meu currículo é excelente. Informática técnica e fluência em três idiomas, todas as empresas querem o que tenho a oferecer como funcionário - mas quando explico que não consigo me alimentar sozinho, sou descartado na hora. Minha queixa é contra as empresas que dizem incluir deficientes no campo de trabalho, mas desconhecem as reais necessidades da pessoa portadora de necessidades especiais. DJEISON POSSAMAICapitalO Santander responde:"O currículo do sr. Djeison está cadastrado em nosso banco de dados, verificado sempre que há abertura de vagas. Os processos de seleção do banco levam em conta a aptidão dos candidatos para as vagas disponíveis, e nessas oportunidades todos os currículos cadastrados são analisados, independentemente de o candidato ser portador ou não de deficiência. Assim, havendo vagas disponíveis para as aptidões indicadas no currículo do sr. Djeison, ele certamente será convocado a participar do processo seletivo correspondente. O banco tem o aGente - Programa de Valorização da Diversidade, que busca ampliar a pluralidade no quadro de colaboradores, a partir da inclusão de pessoas com deficiência e de integrantes de minorias étnicas. Para o Santander, a diversidade é tema prioritário em sua agenda de Responsabilidade Social."A IBM Brasil responde:"O respeito pelas características de cada ser humano e a promoção da diversidade fazem parte da cultura de nossa empresa, assim como a igualdade de oportunidade. A contratação do sr. Djeison não foi efetivada em razão do nível de inglês exigido para o cargo. O curriculum vitae do leitor continuará em nosso banco de dados, para futuras oportunidades que requeiram o seu perfil técnico."O Itaú responde:"Baseada no compromisso de respeito ao cidadão, nossa funcionária Adriana, do RH, tentou contatar o leitor para obter os esclarecimentos ref. à sua manifestação, sem sucesso; ela conversou então com os pais do leitor. Não consta nos registros que ele tenha feito teste ou participado de processo seletivo. Em 60 anos de existência, nossa atuação se fundamenta nos valores de respeito à diversidade e à pessoa. Em 2000 iniciamos o Programa de Contratação de Pessoas com Deficiência, desenvolvendo desde então ações para garantir seu sucesso e sustentabilidade, demonstrando nosso comprometimento com essa causa. Em 2003, 1,71% do nosso quadro de colaboradores referia-se a pessoas portadoras de necessidades especiais, e em 2007 esse índice já atingia 4,3% ."

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