Cartas

Carta 19.434Problemas dos deficientes... No dia 15/12, fiquei duas horas esperando por uma cadeira de rodas no Shopping D (zona norte). Depois de esperar todo esse tempo, informaram que o shopping tem somente três cadeiras para atender os clientes.ISABEL MARIA da SILVACapitalO Shopping D responde:"A leitora utilizou a cadeira cedida pelo shopping das 17h29 às 19h29 e não fez nenhuma reclamação para os atendentes. Não sabemos a origem da informação de que há somente três cadeiras disponíveis. Para atender emergências, mantemos cadeiras em todos os andares de lojas, em atendimento à Lei Estadual n.º 10.779/2001 - que não especifica a quantidade de cadeiras que devem ficar disponíveis. No térreo, o SAC tem outras cadeiras para circulação no shopping, a título de cortesia." Lamentável a atitude das empresas com mais de 100 funcionários que deveriam contratar pessoas com algum tipo de deficiência para 2% do quadro de funcionários mas não o fazem. Muitas dizem que não encontram deficientes para contratar, o que é mentira e desrespeito para com os desempregados. Sou engenheiro agrônomo, deficiente físico, e procuro emprego há mais de dois anos. Já enviei currículo para várias empresas que alegam que não contratam portadores de deficiência por não encontrar pessoas qualificadas. Os órgãos de fiscalização não estão atuando direito: se agissem mais rigorosamente, as contratações certamente ocorreriam.FERNANDO SALOMÃO CURYGuarapuava/PRCarta 19.435Mal-entendido no barSou portador de deficiência visual. Há dois anos fui aos Estados Unidos para um curso que ensina a lidar com cão-guia (no caso, um labrador macho preto, o Mac, identificado segundo o Decreto Federal 5904/06, que garante o acesso desses animais a qualquer local de uso coletivo no Brasil, exceto os que exigem esterilização. Freqüento sem problemas restaurantes, hotéis, etc. Em 22/12, fui convidado para uma comemoração no bar Maavah, no Tatuapé, e quando cheguei o chefe da segurança, Alex, disse haver problemas com a direção da casa devido à presença do cão. Expliquei que Mac é treinado para ficar em ambientes com música alta e mostrei os documentos, mas fomos interrompidos pelo gerente da casa, que se apresentou como Gringo. E antes que eu pudesse me explicar novamente, ele avisou que não toleraria a entrada do animal, pois ?algum cliente poderia chamar a polícia se o cão o mordesse?. De nada adiantou eu argumentar, pois ele falava em voz alta e termos inapropriados. Eu disse que quem deveria chamar a polícia era eu, o discriminado, mas ele respondeu que não se intimidaria, que cumpria ordens do dono, e que eu estava atrapalhando a limpeza da casa, que abriria em momentos. Ele ainda disse que eu poderia ir à casa quando quisesse, mas sem o cão. Daí o chefe da segurança veio pedir desculpas e me deixou entrar. Apesar da situação ter se resolvido pacificamente, o episódio deve servir de alerta para que os deficientes sejam respeitados, sem ser por caridade ou compaixão.DANIEL MONTEIROTremembéO Maavah Bar responde:"Pedimos desculpas ao sr. Daniel pelo mal-entendido ocorrido no dia 22/12 no nosso estabelecimento. A intenção do gerente, sr. Fermim (conhecido como Gringo porque é chileno) não foi impedir a entrada do leitor, mas garantir a segurança dos clientes com relação ao cão Mac. O primeiro pensamento do gerente foi que um cão não reagiria normalmente à agitação das pessoas e ao volume do som comum em casas noturnas como a nossa, com bandas ao vivo. Admitimos que o modo de falar do sr. Fermim, misturado ao seu sotaque, às vezes faz as suas palavras parecerem mais ríspidas do que realmente são. Quanto a isso, só podemos nos desculpar e contar com a compreensão do leitor. O que não queremos é que a nossa casa seja julgada como discriminadora de um deficiente visual em uma coluna de jornal, porque isso não ocorreu, o que traria muito mais prejuízos e ?discriminação? à do nosso estabelecimento do que o aconteceu com o sr. Daniel. Lamentamos o ocorrido, pois foi uma situação inteiramente nova para nós. Nunca havíamos recebido um cão-guia em nossa casa, e podemos garantir que o aprendizado da situação não será esquecido. Numa próxima visita do sr. Daniel, ou de outro deficiente visual, as ações de todos serão diferentes."O leitor confirma que entrou na casa e uma amiga com cão-guia também lá esteve - mas ele diz que ainda assim não gostou do atendimento.

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