Cartas

Carta 19.446Uma hipotética construção Por que um lugar tombado pelo Patrimônio Histórico tem a calçada externa modificada sem autorização (pelo menos não há placa informando) do Condephaat ou Compresp? Moro no bairro City Butantã, onde fica a Casa do Bandeirante, no meio de uma praça linda, com vegetação exuberante. O calçamento externo era de paralelepípedos, igual ao do calçamento de dentro, mas os paralelepípedos foram arrancados e serão substituídos por bloquetes modernos, bem diferentes da construção original. Vi muitos carro particulares e pequenas peruas levando os paralelepípedos embora, em inúmeras viagens. Por que mudar? Os paralelepípedos combinam bem mais com a arquitetura do lugar. Nos dias de chuva, as águas penetram no solo por entre eles - que, além do mais, estão lá "desde sempre". MARION LAUTENBERGCity Butantã O Condephaat responde:"De fato, a troca de calçamento ao redor da Casa do Bandeirante foi constatada por nós, mas não houve, no caso, nenhuma irregularidade. Os paralelepípedos do local eram comuns, e a reforma foi apenas um serviço de conservação." Para sua informação:A casa conhecida como Casa do Bandeirante, antes considerada uma construção original e doada aos jesuítas por Afonso Sardinha, não é de época. Em 1954, a Comissão do IV Centenário dotou-a de acervo de móveis e objetos de valor histórico na tentativa de reconstruir uma (possível) casa-sede de um sítio paulista setecentista - ou talvez de um abstrato e hipotético bandeirante.Carta 19.447Saudosas temporadasÉ com pesar que nos lembramos das distantes temporadas líricas oficiais, quando assistíamos a produções elaboradas e de bom senso técnico e artístico, com uma boa escolha de cantores em repertórios ecléticos e de real interesse do público. A geração que viu os espetáculos empresariados por Alfredo Gagliotti e Emílio Billoro não se esquecerá de Gianni Raimondi, Enzo Mascherini, Virgínia Zeani, Gian Giacomo Guelfi, Mario Del Monaco, Aldo Protti, Elena Souliotis, Renato Bruson, Ileana Cotrubas e Ghena Dimitrova, entre outros importantes nomes. E os maestros? Edoardo De Guarnieri, Tullio Serafin, Franco Ghione, Oliviero de Fabritis, Nino Stinco, Michelangelo Veltri, Massimo Pradella, Mario Perusso... Injusto ignorar os brasileiros: Assis Pacheco, Agnes Ayres, Ida Micolis, Paulo Fortes, Benito Maresca, Fernando Teixeira, Maria Lúcia Godoy, Niza de Castro Tank... Ainda quanto aos artistas nacionais, é associar às óperas do patrício Carlos Gomes, que tantas vezes subiram à cena no Theatro Municipal e que há décadas estão arquivadas nas suas estantes. Registram-se em São Paulo períodos inacabados a partir de 1981 (experiência já realizada em 1971 e 1972), quando a Prefeitura preferiu assumir a organização das temporadas líricas em vez de confiá-las a empresários do ramo. Surgiu então o Projeto Pró Ópera (1981-84), com alguns acertos, valorizando o artista nacional e lhe dando a oportunidade de assumir papéis de relevo,bem como a diretores de cena, cenógrafos, figurinistas e bailarinos do Balé da Cidade. Basta lembrar espetáculos como Macbeth, Tosca, Wozzeck, Navio Fantasma, La Vita Breve e Carmina Burana. Após 1984, quando o teatro fechou para reforma geral, reabrindo só em 1989, por ali passaram como responsáveis de temporada John Neschling, David Machado, Tullio Colacciopo e Isaac Karabtchevsky, mas sua força configurada é minúscula, e leva a concluir que foram encaradas como por demais abstratas e teóricas, ao se anunciar que aqui se instalaria uma escola de formação de arte lírica e, sobretudo, oficinas técnicas e cenográficas para as produções líricas. E hoje? Quando há um raro espetáculo lírico, são sempre os mesmos cantores assumindo aleatoriamente todo e qualquer personagem (bufo, lírico ou dramático), em temporadas - se é que assim podem ser chamadas - onde se fazem três óperas cômicas de uma só vez num mesmo semestre, sem nenhuma outra de gênero oposto, e em cujos elencos figuram sempre os mesmos artistas. Como exemplo, podemos apontar, nos últimos três anos, a participação inexplicável de alguns artistas brasileiros em três ou quatro óperas sucessivas, em encenações paupérrimas e de gosto discutível, numa opção de repertório pouco atraente e desequilibrada. Vejam-se as temporadas líricas de outros teatros sul-americanos (Manaus, Teatro Amazonas, Teatro Municipal de Santiago do Chile, Fundação Teresa Carreño, em Caracas, e o próprio Municipal do Rio de Janeiro).MARCO ANTÔNIO de A. SETAN. da E.: a resposta do assessor Ciro Bonilha, do Municipal, será publicada amanhã.

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