Cartas

Carta 19.448Calçadas do Sesc Pompéia Em visita ao Sesc Pompéia, vi que o calçamento ao longo da Rua Clélia foi demolido, para substituição pelo novo padrão municipal. Não é preciso lembrar a importância desse conjunto de edifícios com assinatura da arquiteta Lina Bo Bardi, pois se trata de local visitado por brasileiros e estrangeiros, pela importância cultural e social, espaço democrático onde todos são acolhidos. Quem o conhece, sabe que as calçadas originais compõem a arquitetura e paisagismo do local e foram feitas por pedreiros orientados pela arquiteta, com cimentado liso de excelente qualidade, decorado com os seixos de rios que compõem também as valetas de escoamento da água pluvial. É o ?riacho? que corta a área de vivência do centro cultural, parte integrante da obra, patrimônio arquitetônico de São Paulo. O argumento da Prefeitura para substituir o pavimento é melhorar da acessibilidade, mas quem conhece o local sabe que as calçadas antigas eram lisas, desimpedidas, em perfeitas condições para o tráfego de cadeiras de rodas, com rampas de acesso. A calçada deve ser refeita segundo as características originais, se possível com o apoio dos arquitetos que formaram a equipe que as fieeram. E que entidades de arquitetura e engenharia, como o Instituto de Arquitetos do Brasil, Inst. de Engenharia, Sind. das Empresas de Engenharia Consultiva e professores das faculdades de arquitetura sejam ouvidos a respeito.MARCOS DE SOUSA e REGINA ROCHAJardim São PauloA Sub Lapa responde:"A Prefeitura já determinou que o trecho diante do Sesc Pompéia seja restaurado na forma original."Carta 19.449Resposta do MunicipalEm resposta à carta do sr. Marco Antônio Seta (Saudosas temporadas), publicada ontem, o assessor de Imprensa do Theatro Municipal, sr. Ciro Bonilha, nos escreve:"A temporada lírica do Theatro Municipal de São Paulo é planejada pela Direção Artística com o objetivo de apresentar ao público da casa não apenas os grandes títulos do repertório, mas também obras inéditas ou menos conhecidas. Para 2008, como foi divulgado no final do ano, estão programadas oito óperas - o mesmo número de produções apresentadas em 2006. Entre elas está Colombo, obra de Carlos Gomes apresentada pela última vez em 2004. Do mesmo autor, foi encenada em 2005 a ópera Condor. Em 2007, o Theatro Municipal apresentou três óperas no primeiro semestre, pois estava prevista para a segunda metade do ano uma reforma no palco, que acabou sendo adiada. Ainda assim, o mesmo critério foi utilizado na escolha dos títulos: as conhecidas A Filha do Regimento, de Donizetti, e A Italiana em Argel, de Rossini, ao lado de O Chapéu de Palha de Florença, de Nino Rota (o grande criador das trilhas sonoras dos filmes de Federico Fellini), raramente apresentada. Os espetáculos faziam parte de uma mesma série, intitulada A Comédia na Ópera, cujo sucesso pôde ser comprovado pela ocupação da Casa em todas as récitas. Cabe ainda ressaltar que é inverídica a afirmação de que os artistas que atuam no teatro são sempre os mesmos. Demonstra-o uma simples análise das fichas técnicas dos espetáculos programados para 2008, com a estréia em ópera de cantores como Marcos Paulo, Flávia Fernandes e Mirna Rubin, e da diretora de cena Lívia Sabag, além da volta de nomes como Laura de Souza, Céline Imbert e Andrea Ferreira. O público também poderá conferir, pela primeira vez em São Paulo, a atuação dos artistas estrangeiros Paul Charles Clarke, Simon O?Neill e Cecília Diaz. Quanto às encenações, classificadas como "paupérrimas e de gosto discutível" pelo leitor, a aclamação do público e os elogios da crítica especializada aos trabalhos de artistas como André Heller-Lopes, William Pereira, José Possi Neto, Jorge Takla, Naum Alves de Souza, Caetano Vilela, Hugo Possolo, Fábio Namatame, Cássio Brasil, Jean-Pierre Tortil e Renato Theobaldo - para citar apenas alguns dos principais nomes dedicados à ópera e às artes cênicas no País - apontam na direção contrária. A comparação com outros teatros da América Latina, cada qual com sua realidade específica, parece injusta, mas ainda assim é vantajosa para o Theatro Municipal de São Paulo em seu atual momento. Basta lembrar que o Teatro Colón de Buenos Aires cancelou a sua temporada lírica de 2008 até outubro, em virtude de uma reforma, e que o Municipal do Rio não anunciou até agora as óperas deste ano. O Teatro Amazonas tem cinco montagens previstas, enquanto o Municipal do Chile anunciou sete encenações para 2008 - uma a menos do que o Theatro Municipal de São Paulo."CIRO BONILHA - assessor de ImprensaPela Direção do Theatro Municipal de São Paulo

O Estadao de S.Paulo

03 de fevereiro de 2008 | 00h00

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