Cartas

Carta 19.825Temos uma ''faixa de Gaza''O toque de recolher na favela de Paraisópolis (21h em ponto) é uma regra imposta por bandidos e traficantes para que as pessoas não saiam de casa; quem sair, corre sérios riscos. E a ordem não vale somente para Paraisópolis, mas também para moradores do Morumbi, bairro ao lado da favela. Há 40 anos a convivência tem sido saudável entre a população da favela, onde certamente 90% são compostos por pessoas trabalhadoras e honestas, e a população do Morumbi, também formada por 90% de pessoas honestas e trabalhadoras. Mas nos últimos dois anos os dois bairros vivem na ?faixa de Gaza?, como dizemos. Ruas próximas à favela são reféns de bandidos-mirins, que com motos, armas e capacetes, fazem a via-sacra de dia e à noite, roubando celulares, carteiras, aparelhos de som de carros e até os automóveis de quem entra ou sai de casa. Parece até que os bandidos têm um plano de ação para agir impunemente pelo bairro, pois durante a semana eles fazem rondas para pegar os desavisados que conversam na rua. Se a polícia quiser, posso dar as diretrizes de operação, detalhando como eles agem e em que horários. Em menos de um mês houve sete assaltos na mesma rua, e ouvem-se claramente tiros da favela quase todas as noites, principalmente aos domingos. Quando vou visitar minha mãe, que mora na ?faixa de Gaza? do Morumbi, monto um plano de ação, com operação rápida de entrada e saída, para não ser surpreendida. Essa queixa não é só por minha família, mas por toda a comunidade de Paraisópolis, que vive ameaçada.V. A. P.MorumbiA Polícia Militar responde:"Patrulhamos a área com a 2.ª Cia do 16.º Batalhão de PM Metropolitano, Radiopatrulha, Polícia Comunitária, de Trânsito e Integrada, Ronda Escolar Ostensiva e Força Tática. De janeiro a abril fizemos 45 prisões em flagrante, apreendemos oito armas de fogo e recuperamos 52 veículos roubados. As informações da leitora foram transmitidas ao serviço de Inteligência da PM, para identificar e, conseqüentemente, prender os eventuais criminosos que agem na região. A população pode ajudar passando informações que levem à identificação e prisão de criminosos pelo tel. 190, Disque PM (0800) 0555-190, Fale Conosco PM (www.polmil.sp.gov.br) ou pelo Disque Denúncia 181." A leitora comenta:Agradeço, mas pouco antes de receber a resposta minha mãe avisou que a minha sobrinha tinha sido assaltada pela 3.ª vez no mês (carta de 30/6), com uma vizinha. Os bandidos levaram bolsas com celulares, salário, cartões e documentos. Logo depois, uma pessoa foi assaltada no final da rua. Os bandidos estão trabalhando, mas não vejo um policial no bairro há semanas.Carta 19.826Cartas sem resposta 10Luís Carlos Gurian (Tucuruvi) escreveu em 13/5 dizendo que a empresa onde trabalhava protocolou no INSS, em 28/12/04, pedido de transformação do seu auxílio-doença para acidente do trabalho, não atendido.O INSS não respondeu. João Luís dos Santos Mascarenhas (Vila Andrade) comunicou em 2/6 que em 2006, após muitas idas-e-vindas, obteve resposta da Previdência sobre sua aposentadoria por tempo de serviço, indeferida. Ele recorreu, mas não recebeu resposta do INSS. O INSS não nos respondeu. Ivaldo Santana de Oliveira (Cidade Tiradentes) reclamou do INSS em 26/5: ele sofre de síndrome do pânico e recebeu benefício de auxílio-doença, mas não a aposentadoria, como pediu. Ele reclamou ainda da burocracia das perícias e procedimentos necessários para continuar a receber o benefício.O INSS não respondeu. Thaís Alencar Silva (Franco da Rocha) denunciou em 23/6 a situação do Pronto Atendimento da prefeitura de Franco da Rocha. Em 18/6, seu pai deu entrada no PA com diagnóstico de enfarte agudo do miocárdio, mas o lugar não tem estrutura para atender pacientes graves e com risco iminente de vida, além de estar em más condições de higiene. "Meu pai urinava numa garrafa que improvisei e tinha de despejar dentro da pia onde preparavam a medicação." Os remédios deveriam ser administrados em bomba de infusão, mas, na falta do equipamento, era aplicado em soro macrogotas. Nos dois dias em que ele ficou no PA, não lhe deram banho. Pacientes entravam e saíam, e nem álcool passavam na sua cama para desinfetá-la. A família conseguiu transferência para uma UTI em São Paulo, porque o PA nem UTI tem, e hoje ele passa bem.A prefeitura de Franco da Rocha não respondeu.

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