Cartas

Dívida estudantilEstou indignado e decepcionado com o governo federal. Fui bolsista do Programa de Financiamento Estudantil (Fies). Com as várias perdas salariais ocorridas durante os últimos 13 anos a classe média ficou achatada e parei de pagar a dívida em janeiro de 2008. Estive na Caixa Econômica Federal em 23 de janeiro deste ano para buscar um acordo. Uma funcionária disse que não há negociação e que tenho de quitar o valor integral. Ora, se parei de pagar a prestação por motivos financeiros, como agora tenho de pagar tudo de uma só vez? O que mais me revoltou é saber que o governo liberou R$ 100 bilhões para "socorrer" as instituições financeiras, ou seja, continua a mesma cruel ciranda do neoliberalismo praticado pelo governo do ex-presidente Fernando Henrique. Só existe dinheiro disponível para quem já o tem. Não estou pedindo anistia da dívida, apenas tento pagá-la. Mas de uma forma que não me obrigue a pedir falência pessoal (se é que isso é possível no Brasil). Acredito que a política financeira deste governo, infelizmente, está se voltando para os ricos, que sempre foram privilegiados pelos governos desde os tempos em que éramos colônia de Portugal.FLÁVIO THURLER MOREIRASão PauloA Assessoria de Imprensa da Caixa Econômica Federal da Regional Paulista esclarece que, de acordo com a regulamentação vigente, o caso mencionado não se enquadra nas regras de renegociação. Diz que, no entanto, a área responsável pelo Fies sugere que o leitor aguarde até março, pois o banco está estudando alterações que poderão deixar viáveis a renegociação para casos semelhantes.IndignaçãoA carta do leitor sr. Alvio Malandrino, A lebre e o elefante (24/2), expõe um problema muito mais grave do que quer fazer entender a CET. Posso garantir que milhares de paulistanos estão sendo punidos com graves prejuízos financeiros e desvalorização de patrimônio, em razão de comunicação equivocada tanto dos técnicos como do próprio prefeito de que nas Zonas de Máxima Restrição de Circulação (ZMRC), em determinados horários, somente vans ou veículos de pequeno porte seriam permitidos. Ocorre que algumas marcas desses pequenos utilitários têm seu registro no Detran como caminhões, o que, a começar pelo tamanho, obviamente não o são. Esse registro não depende da vontade do proprietário e sim da decisão do fabricante ou importador para se valerem de benefícios fiscais, ao que parece sem maiores cuidados técnicos por parte do poder público, ou seja, ocasionando perda de receita fiscal. Na minha empresa compramos um pequeno utilitário modelo Traffic, antes importado pela GM e hoje fabricado no Brasil pela Renault e denominado Master, sendo este registrado como caminhonete e o primeiro, não. E todos os veículos em situação similar hoje valem a metade do que valiam, pois nem licença como veículos urbanos de carga, concedida para pequenos caminhões, é obtida. Em visita à CET para tentar esclarecer o equívoco funcionários informaram que a lei saiu assim porque o corpo técnico da companhia não foi ouvido. E ressalto que somente os radares que leem as placas podem multar, pois os marronzinhos, vendo os modelos similares, não têm como distinguir qual está infringindo a lei, já que para isso precisariam consultar os documentos do veículo. O resultado desse erro na formulação da lei é que aqueles que fazem entregas nesta cidade procuraram a solução mais óbvia: trocar veículos grandes por utilitários. Enfim, nós, cidadãos, não pagamos o pato, somos os próprios.ILAN RUBINSTEINNSão PauloAdele Nabhan, do Departamento de Imprensa da CET, informa que quem determina a categoria do veículo é o fabricante com o Detran. Em defesa do patrimônio Na Avenida Higienópolis um shopping adquiriu uma casa vizinha em leilão do governo para fazer a expansão do centro comercial. O casarão antigo não só será preservado, como o shopping assumiu o compromisso de restaurá-lo fazendo a expansão apenas no quintal do imóvel. O Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat), no entanto, analisa o pedido há dois anos e não libera a construção. E, no mesmo bairro, na esquina da Rua Pará com a Ceará havia um casarão tão ou mais imponente que o de Higienópolis, que, ao que nos consta, foi tombado. No sábado de carnaval esse imóvel foi derrubado a toque de caixa em decorrência de um alvará concedido para reconstrução. Será que este é um país que cria dificuldades para vender facilidades?MARCO ANTONIO MARTIGNONISão Paulo

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