Cartas

Com trânsito congestionado... Estou indignada com a falta de segurança na cidade. No dia 6, por volta das 18h30, estava na Marginal do Pinheiros, sentido Morumbi, e embaixo da Ponte Morumbi vi um grupo de garotos quebrando vidros de carros para roubar bolsas. Meu carro tem insulfilm e mesmo assim um deles arrebentou o vidro e tentou levar a minha bolsa. Como se não bastasse, o trânsito andou um pouco e encostou um motoqueiro e perguntou: "Levaram?" Eu respondi que sim. "Que pena, se não eu levaria sua bolsa." Cheguei em casa e liguei para a polícia informando o ocorrido, porém acredito que eles já conhecem essa prática e nada fazem. SORAYA MARTINELLI São Paulo A Polícia Militar esclarece que o crime relatado pela sra. Soraya está relacionado a um tipo específico de criminalidade que passou a ser registrado no trânsito congestionado da cidade de São Paulo, tendo como alvo motoristas de carros. Para combatê-lo, a Polícia Militar lançou mão do Programa de Policiamento com Motos e do Programa de Trânsito, a partir de 2005 e 2007, respectivamente. O resultado foi a redução anual de aproximadamente 10% desse tipo de crime. O principal objetivo dos autores desse delito são aparelhos eletrônicos. A polícia orienta os motoristas a não usar celular ao volante, pois, além de constituir infração de trânsito, está relacionado com a maior vulnerabilidade do condutor a esse tipo de ação e com a ocorrência de acidentes; a não deixar objetos, como bolsas, sacolas e outros pertences expostos; e ligar para a polícia sempre que se deparar com a presença de pessoas suspeitas em meio ao trânsito congestionado. Fim dos fretados Sou usuária de ônibus fretado há 6 anos e fiz essa opção porque não suportava mais ter de andar em ônibus e metrô lotados, enfrentar atrasos e falta de respeito. Agora, por imposição, tenho de voltar a usar o transporte público. O sr. prefeito e o sr. secretário de transportes deveriam explicar melhor como os passageiros de fretados não serão prejudicados com as novas regras. CINTIA MANTERO São Paulo A Secretaria Municipal de Transportes esclarece que a regulamentação do transporte fretado é urgente, uma vez que a grande quantidade de ônibus fretados em importantes avenidas dificulta a fluidez do trânsito como um todo e especialmente dos ônibus do sistema público, prejudicando milhões de usuários. As novas regras vão atingir apenas 11% dos cerca de 5.500 veículos fretados que chegam diariamente a São Paulo, portanto é apenas uma parcela dos passageiros que vai dar sua contribuição para a melhora do trânsito, assim como já é feito pelos moradores de São Paulo, por meio do rodízio de placas, e pelos caminhoneiros, por meio da restrição à circulação de caminhões. É um absurdo restringir o tráfego de fretados na região central de São Paulo. O transporte público já é uma calamidade (ônibus quebrados, falta de segurança, superlotação e demora). Os passageiros, acostumados com o conforto e a segurança do fretado, vão preferir trafegar de carro - o que piorará ainda mais o trânsito e a poluição na cidade! Muitos chegarão atrasados no trabalho e as empresas deverão ter mais gastos com o transporte dos funcionários, o que poderá ocasionar demissões. GISELE NOGUEIRA São Paulo A Secretaria Municipal de Transportes diz que conta com a compreensão dos passageiros de fretados para que eles colaborem para evitar que esses ônibus sobrecarreguem as vias da região central, dificultando o trânsito como um todo e retardando a circulação do sistema público de transporte. Os usuários que se dirigem à área de restrição, informa, poderão usar o Metrô, os trens da CPTM e as linhas semiexpressas criadas especialmente para atender às suas necessidades. Análise: Toda a origem desse problema é a insuficiência e a má qualidade do transporte público de São Paulo. Na medida em que essa causa básica não é atacada como deveria, a cidade vive de expedientes. Foi por isso que surgiram as peruas, atropelando os regulamentos do Município, mas atendendo a uma demanda específica; por igual, foram adotados os ônibus fretados. Uns e outros são hoje indispensáveis, mas têm o seu preço, que é o agravamento dos problemas da circulação. Para melhorá-la, surgem as restrições, como agora, mas que certamente prejudicam os usuários de alguma maneira. Acho difícil dar certo o plano ora proposto, que certamente deverá vir a ser aperfeiçoado. Se não o for, muitos automóveis voltarão às ruas. ADRIANO M. BRANCO, engenheiro e ex-secretário de Transportes e de Habitação do Estado de São Paulo

, O Estadao de S.Paulo

11 Julho 2009 | 00h00

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