Cartas

Carta 19.062 Obras feitas em córregos Queria saber qual é o tipo de obra que está sendo feita no córrego paralelo à Rua Benedito Montenegro. A rua deveria continuar até a rua do Colégio Pio XII, mas, estranhamente, some em meio a áreas particulares e o córrego é interrompido por imóveis comerciais. A canalização nos preocupa, porque o leito do córrego terá a capacidade de absorção prejudicada, podendo entupir e causar enchentes. Creio que a Prefeitura deveria ter outras prioridades para nosso dinheiro, como melhorar o transporte público ou cuidar da favela de Paraisópolis. Peço que investiguem sobre obras e ocupações em córregos, porque declararam a área de utilidade pública em meados de 1980 e hoje ela está ocupada por particulares. Se é pública, não deveria haver placa com o valor das obras e o nome dos responsáveis técnicos? ADALÍVIO ROBERTO DIAS Morumbi A Prefeitura responde: "Os córregos da cidade são de responsabilidade da Prefeitura, mas em alguns casos empresas privadas têm interesse em fazer alguma obra e nós aceitamos as iniciativas. É o caso do Córrego do Pau Arcado, que atravessa o terreno da Constr. Bueno Neto, interessada na canalização. A obra não tem placa da Prefeitura nem informa o valor porque não é ela que faz a canalização, apenas fez o projeto e vistoria a obra. Os investimentos são de empresas privadas." Obrigada, sr. Matarazzo, por cumprir a promessa de trocar o piso da Paulista. É trabalhoso, mas sei que valerá a pena. Podemos depois discutir as lixeiras? IDA SEMER Capital Carta 19.063 Comércio informal Todos os dias, pessoas honestas são vítimas de crimes nos semáforos, nas ruas ou até mesmo dentro de suas casas. Criminosos natos ou que foram impelidos à criminalidade por negligência dos governantes assaltam, estupram, matam. Aqui em São Paulo, os bandidos têm passe livre para fazer ?seus serviços profissionais?. As pessoas mais humildes que tentam sobreviver do pequeno comércio (legalizado ou não) são perseguidas por fiscais acompanhados de funcionários especializados em ?rapas? e policiais metropolitanos que são verdadeiros brutamontes. Hoje (carta de 15/8), até policiais militares são usados para caçar os ambulantes. Eles seguram os camelôs no local como se fossem criminosos, para impedi-los de fugir com os seus produtos. Ou seja, os policiais militares, teoricamente pagos para prender os criminosos que roubam e matam, são utilizados para levar pessoas honestas - desesperadas - para o mundo do crime. Não consigo entender qual é a vantagem que os governantes que combatem os ambulantes levam ao criar mais desemprego e, conseqüentemente, mais miseráveis. Cada firma fechada tira o emprego de algumas famílias. Cada barraca derrubada tira a renda mensal de uma família. Ao invés de tentarem dar uma vida digna aos munícipes, eles criam miséria e desespero. Nada se constrói com desemprego. E nada se constrói na miséria. MARIA JOSÉ ANGELO JORGE Consolação A Prefeitura responde: "A idéia de que os vendedores ambulantes são inofensivos e ?tentam sobreviver de seu pequeno comércio (legalizado ou não)?, como diz d. Maria José, não se aplica mais hoje em dia. A leitora deve acompanhar pelo noticiário que a maioria dos ambulantes ilegais vende produtos roubados, pirateados ou contrabandeados. Esse tipo de atividade é crime e estimula a violência, da qual a leitora reclama e todos nós, paulistanos, queremos um fim. É comum, por exemplo, que os assaltos a grandes caminhões de carga tenham a finalidade de alimentar o comércio informal. Além disso, reportagens em diversos veículos de comunicação ressaltam que nos locais de onde os ambulantes foram retirados - São Miguel, Brás e Largo 13 são exemplos -, o índice de criminalidade cai. Some-se a esse cenário o fato de que cada vendedor ambulante que comercializa produtos sem origem comprovada concorre com o comércio formal, que paga impostos e gera renda para o município. Essa competição desleal é um desestímulo para que as lojas contratem vendedores. Ou seja, o comércio informal é crime e causa desemprego. Entre as opções que são dadas aos ambulantes, estão os shoppings populares. O problema é que, para serem aceitos nesses locais, eles precisam comprovar a origem dos produtos. Muitos desistem por essa razão. Por que será? O homem público deve cuidar para que as leis sejam respeitadas e aplicadas, e tenho certeza de que o trabalho ilegal não é a solução para o desemprego. Ao contrário." ANDREA MATARAZZO Secret. Subprefeituras/SubSé

O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2001 | 00h00

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