Cartas de Anchieta sobre SP chegam ao Pátio do Colégio

Elas chegaram às 5h50, nas asas de um Airbus, e foram levadas ao Pátio do Colégio sob proteção de batedores da Polícia Militar. As 17 cartas raras do padre José de Anchieta, escritas em latim, voltaram ontem ao local onde o religioso, ao lado do padre Manoel da Nóbrega, fundou a cidade. A história da futura capital e a catequese dos índios são alguns dos temas da correspondência. De tão perfeita a conservação no arquivo do Vaticano, é possível até ver as dobraduras de envelopagem. Escritas com letra firme e desenhada, as cartas integram o volume Espistalae Venerabilium e ficarão expostas a partir de domingo no Pátio do Colégio por 120 dias. É a mostra Os Empreendedores: de Anchieta aos Novos Tempos, patrocinada pela Associação Comercial, em parceria com a Fundação Pateo do Collegio. A exposição gratuita terá ambientação especial, segundo o curador Marcos de Moraes. Ao entrar na cripta de pedra, o visitante será recebido com música sacra medieval e verá quadros de Benedito Calixto e de Portinari, retratando o religioso. Ao fundo, ficará a correspondência, protegida em uma vitrine. Numa gravação, o ator Paulo Goulart lerá trechos do material. "A idéia é que a pessoa esqueça o burburinho para mergulhar na leitura da descrição da cidade na fundação." O presidente da Associação Comercial, Guilherme Afif Domingos, disse que a idéia das cartas surgiu da constatação de que, a despeito de São Paulo ser uma das poucas cidades que mantêm intacto seu local de nascimento, os paulistanos tendem a eleger outros símbolos. "Isso é fruto do desconhecimento." Pintura A fachada do Pátio do Colégio está ganhando nova pintura. Trabalhadores passam o dia em andaimes para que o serviço esteja pronto até domingo. A tinta foi doada pela Suvinil. "As cores são as de sempre: paredes brancas e janelas azuis", diz a administradora do local, Julia Maria Mancusi Tubel.

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